Saltar para o conteúdo principal

Publicidade

Publicidade

 
  Siga a Folha de S.Paulo no Twitter
30/07/2005 - 07h32

Assessor confirma que sacou dinheiro do Rural para o líder do PP

Publicidade

da Folha Online

O ex-chefe de gabinete João Cláudio Genu confirmou nesta sexta-feira, em depoimento à Polícia Federal, que retirava, do Banco Rural, dinheiro de empresas de Marcos Valério de Souza a pedido do líder do PP na Câmara, o deputado José Janene (PR). De acordo com o levantamento preliminar da CPI dos Correios, o ex-funcionário de Janene sacou pelo menos R$ 1,15 milhão.

Segundo a procuradora Raquel Branquinho, que acompanhou parte do depoimento, Genu afirmou que Simone Vasconcelos, diretora financeira da SMPB, uma das empresas de Valério, realizava os saques na agência do banco no Brasília Shopping e depois entregava ao ex-chefe de gabinete.

Genu não deu detalhes sobre as quantias retiradas, mas afirmou que era orientado a sempre levar o dinheiro para a sede do PP em Brasília. À PF, Genu mencionou outros dois deputados da sigla: Pedro Correa (PE) e Pedro Henry (MT). O depoimento de Genu começou às 15h10 e terminou às 21h.

Para a procuradora, o depoimento de Genu é importante porque, "ao confirmar que recebeu dinheiro que vinha de Marcos Valério [sócio das agências de publicidade SMPB e DNA], dá materialidade ao que está sendo apurado". Branquinho integra a equipe do Ministério Público que investiga o pagamento de mesada a parlamentares em troca de apoio ao governo.

A procuradora afirmou ainda que Genu reconheceu sua própria assinatura na documentação do Rural que registra saques em dinheiro vivo.

Genu, no entanto, afirmou que era um "mero portador" do dinheiro e que desconhecia sua finalidade. Confirmando as acusações de Roberto Jefferson, Genu disse que o dinheiro vinha em malas e que ele as colocava em uma sala no 17º andar do Anexo 1 do Senado Federal, na "tesouraria" --como ele chamou-- do PP.

O deputado Pedro Henry (PP-MT), um dos citados por Genu, ficou revoltado. Segundo ele, o local referido é a presidência do PP, e não a tesouraria: "É a sede nacional do partido. É um lugar aberto, um lugar público", disse.

Os nomes de Janene e Genu foram envolvidos no escândalo do "mensalão" por Jefferson, em entrevista exclusiva à Folha, em 12 de junho. Na ocasião, Jefferson afirmou que Janene era um dos beneficiários e Genu, um dos operadores (pessoa que transportava as malas de dinheiro). Janene sempre negou.

Indícios do "mensalão"

Na quinta-feira, a CPI dos Correios encontrou indícios de que a maior parte do dinheiro sacado por Simone no Rural era para deputados e seus assessores.

As cópias de faxes e de e-mails encontrados no material remetido na terça feira pelo STF (Supremo Tribunal Federal) à CPI contém anotações manuscritas nos processos referentes aos R$ 5,595 milhões retirados em dinheiro por Simone nos anos de 2003 e 2004 da conta da SPMB Comunicação no Banco Rural.

Esses faxes e e-mails eram enviados de Belo Horizonte para Brasília. Eram alertas para que a agência do Banco Rural na capital federal se preparasse para os saques de quantias altas em dinheiro, reservando o numerário.

No verso de quatro desses faxes, há anotações escritas a mão mencionando Jacinto Lamas, ex-tesoureiro do PL.

O ex-tesoureiro do Rural, José Francisco de Almeida Rego, havia revelado em depoimento à PF que Simone deixava na agência uma lista de pessoas que poderiam retirar o dinheiro.

Até o momento, a CPI havia apurado saques num total de R$ 1,65 milhão por Lamas da conta da SMPB no Banco Rural de Brasília. A serem confirmados os repasses realizados a ele por Simone, a quantia subiria para R$ 2,3 milhões --considerando-se que o dinheiro retirado pela pessoa identificada como "irmão de Jacinto Lamas" tenha sido repassado para o então tesoureiro do PL.

CPI

O depoimento de Genu é o primeiro de uma série que será feita pela Polícia PF. O delegado Luiz Flávio Zampronha ouvirá ainda cerca de 30 pessoas que fizeram saques nas contas do publicitário.

Semana que vem, Zampronha irá ouvir em Belo Horizonte Geisa Dias e Simone, que também prestará depoimento à CPI, na quarta-feira. O policial Davi Rodrigues Alves, que aparece nos documentos do Rural, também será ouvido.

Com Folha de S.Paulo

Leia mais
  • CPI leva ao Ministério Público requerimento que sugere prisão de Valério
  • PT estuda pedir ampliação de quebra de sigilo de Valério para dez anos
  • Polícia Federal vai ouvir testemunhas para CPI dos Correios
  • STF nega pedido de prisão preventiva de Marcos Valério

    Especial
  • Leia a cobertura completa sobre a CPI dos Correios
  •  

    Publicidade

    Publicidade

    Publicidade


     

    Voltar ao topo da página