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Severino tenta consertar entrevista, mas recebe ameaça de destituição
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da Folha Online, em Brasília
Depois de defender punição branda para a prática de caixa dois, o presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PP-PE), tentou consertar a entrevista concedida à Folha de S.Paulo e afirmou que não haverá "operação abafa ou pizza" durante a sua gestão.
"Esta presidência repele veementemente tais assertivas", afirmou. "Não há que se falar em operação abafa ou em terminar em pizza, não enquanto eu for presidente", disse.
Severino respondeu a declarações do presidente do PPS, Roberto Freire (PE), que classificou o presidente da Câmara de irresponsável. "As CPIs não podem ficar na mão de um irresponsável como o Severino Cavalcanti", disse Freire.
Severino respondeu: "Não sou leviano, irresponsável ou, muito menos, desequilibrado. Alguma história eu tenho(...) Também enganam-se aqueles que pensam que deixarei levar inocentes ao cadafalso, apenas para, ao desvario, ouvir soar as trombetas", disse.
Ameaças
O discurso, apesar de aplaudido por poucos deputados, mereceu as mais incisivas críticas contra a presidência da Câmara desde que Severino assumiu o cargo.
O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) ameaçou iniciar um movimento para derrubá-lo. "Vossa Excelência está se comportando de maneira indigna com o cargo de presidente da Câmara, Vossa Excelência está em contradição com o Brasil, vossa Excelência na presidência da Câmara é um desastre para o Brasil", afirmou. "Vossa Excelência, ou se cala, ou vamos iniciar um movimento para derrubá-lo", acrescentou, sendo interrompido por Severino. "Recolha-se à sua insignificância", respondeu o presidente da Casa cortando o som do microfone usado por Gabeira.
O deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA) também criticou as declarações de Severino na entrevista de hoje à Folha. "Vossa Excelência não teve muita sorte. Disse o que o presidente da Câmara não poderia dizer", afirmou na tribuna.
A postura da oposição foi discutida pela manhã e deputados do PFL e PSDB disseram que ocupariam a tribuna para atacar as declarações feitas por Severino.
No Senado, a reunião entre os presidentes das CPIs, relatores e o presidente do Congresso Nacional, Renan Calheiros (PMDB-AP), serviu de resposta às afirmações de Severino de que o relatório parcial da comissão dos Correios com o nomes dos 18 deputados que sacaram recursos das contas de Marcos Valério Fernandes de Souza não seria encaminhado ao Conselho de Ética da Casa.
"Qualquer coisa que o presidente do Congresso fizer julgando ou pré-julgando com declarações subjetivas atrapalha as investigações", afirmou Calheiros, sem referência direta a Severino.
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