Procurador começa a ouvir testemunhas de acidente envolvendo promotor
da Folha Online
da Agência Folha
O procurador de Justiça Hermann Herschander começa a ouvir nesta terça-feira testemunhas do acidente de trânsito envolvendo o promotor Wagner Grossi, 42, e que causou a morte de três pessoas da mesma família, na noite de domingo (5), em Araçatuba (530 km a noroeste de São Paulo).
Segundo a polícia, Grossi estava embriagado no momento do acidente. Seu advogado, Eduardo Cury, negou que o promotor tivesse ingerido bebida alcoólica.
O acidente aconteceu na rodovia Elyeser Montenegro Magalhães. O carro do promotor, na contramão, bateu em uma moto onde estavam Alessandro Silva Santos, 27, sua mulher, Alessandra Alves, 26, e o filho dela, Adriel, 7. Os três morreram na hora.
A Secretaria da Segurança informou que o promotor não autorizou a retirada de sangue para o exame de dosagem alcoólica. No entanto, foi constatada "embriaguez moderada" em exame clínico.
O advogado do promotor negou que ele estivesse "visivelmente embriagado", como constatou um policial que atendeu a ocorrência. "Ele não bebeu. Estava transtornado por ter acabado de sair do acidente. Ele tinha batido a cabeça também, o que gerou posteriormente atendimento médico."
A polícia afirma que latas de cerveja foram encontradas no carro de Grossi. O advogado disse desconhecer o fato.
O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Rodrigo Pinho, afirmou que o promotor não foi preso porque o delegado entendeu que era crime culposo.
"Não foi o caso [de prisão em flagrante] pelo fato de o delegado de polícia ter entendido que se trata de infração culposa, embora grave", disse Pinho. "Fosse promotor ou não, estaria respondendo o processo em liberdade", acrescentou.
O promotor pediu licença médica por 15 dias. Depois volta às suas atividades --o crime de homicídio culposo não justifica o afastamento, diz Pinho.
A Procuradoria-Geral de Justiça instaurou um procedimento para apurar o caso. O procurador Hermann Herschander, coordenador do Setor de Competência Originária da Procuradoria-Geral de Justiça, seguiu para Araçatuba para coletar os dados necessários para a investigação.
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