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02/06/2003 - 14h41

Gruta onde morreu Tim Lopes não poderá ser implodida

da Folha Online

A gruta conhecida como "microondas", usada por traficantes para matar suas vítimas, na favela da Grota, zona norte do Rio, não será implodida. No local também foi assassinado o jornalista Tim Lopes.

Reprodução

Morte de Tim Lopes completa um ano
Policiais especializados em bombas fizeram uma inspeção hoje na área e afirmaram que a implosão causaria a destruição de barracos. Segundo os policiais, pedras cairiam sobre casas localizadas abaixo da gruta.

Segundo a Secretaria da Segurança do Rio, o secretário Anthony Garotinho pedirá a uma empresa de obras que jogue concreto na gruta.

Um ano

Há um ano, o jornalista Tim Lopes foi sequestrado quando fazia uma reportagem sobre prostituição de menores em baile funk na Vila Cruzeiro, zona norte do Rio. Na vizinha favela da Grota, no complexo do Alemão, o repórter da Rede Globo foi torturado e assassinado.

O crime chocou o país e gerou dezenas de manifestações em homenagem ao jornalista, além de protestos contra a violência.

Segundo a polícia, depois de torturado, Lopes foi atingido por um golpe de espada no tórax. O jornalista teve as pernas cortadas e foi queimado, ainda vivo, dentro de pneus, no "microondas".

Apenas um teste de DNA permitiu a identificação dos restos mortais de Lopes. As buscas pelo corpo do jornalista revelaram a existência de um cemitério clandestino na favela da Grota. Restos mortais de pelo menos outras três pessoas, entre elas uma mulher, foram localizados.

Feira das drogas

Lopes já havia feito uma reportagem sobre a feira de drogas que lhe valeu um Prêmio Esso em 2001. Ele conseguiu mostrar traficantes vendendo drogas, aos gritos, nas ruas da Rocinha.

Durante as investigações, um delegado e um investigador foram afastados de suas funções após sugerirem em um documento que o jornalista tinha culpa pela sua morte.

Eles disseram que Lopes havia se colocado 'muito perto do perigo, não vislumbrando a diferença da emoção para a razão'.

Elias Maluco

Nove pessoas foram indiciadas pelo crime. Uma foi morta em confronto com a polícia, outra teria se suicidado e as demais estão presas. Entre elas, o traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, acusado de ser o mandante do assassinato.

Ana Carolina Fernandes/FI

Elias Maluco, ao ser preso no complexo do Alemão
Ele foi preso em 19 de setembro, no próprio complexo, após três dias de cerco policial nos morros.

Elias Maluco estava desarmado, escondido em uma casa em um beco de acesso à favela da Grota. O traficante integra a facção CV (Comando Vermelho) da qual também faz parte Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar.

No papel

Na época do assassinato, governos estadual e municipal, ONGs e empresas privadas anunciaram projetos sociais no complexo do Alemão. O objetivo era diminuir a influência do tráfico no local.

No entanto, a maioria dos programas não saiu do papel ou funciona de maneira precária. Um deles, da então governadora Benedita da Silva (PT), foi a instalação de um Grupamento Policial para melhorar o relacionamento entre a polícia e as comunidades.

O grupamento foi inaugurado e, cinco meses depois, não funciona como deveria. Segundo a PM, os 113 policiais nunca tiveram reuniões com representantes dos moradores.
 

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