Dinheiro
13/06/2009 - 10h21

Pedido de crédito de montadoras é recorde

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SAMANTHA LIMA
da Folha de S.Paulo, no Rio

A recuperação do otimismo trouxe as montadoras de volta à porta do BNDES e lançou o banco em um inusitado desafio para poder emprestar dinheiro a esse setor. Passado o pior momento da crise, o apetite das montadoras é recorde.

Sob o efeito das vendas no mercado interno, impulsionadas pela redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e pelo aumento de crédito ao consumidor, as consultas das montadoras ao BNDES para investir em produção subiram 106% até abril ante igual período de 2008.

Primeira etapa de um pedido de empréstimo no BNDES, a consulta é tida como termômetro da atividade econômica porque mostra a disposição dos empresários em investir, o que só ocorre quando há otimismo com o mercado.

Entre as empresas com pedido no banco, está a GM. Quando a matriz, nos EUA, entrou com pedido de concordata, no início do mês, a subsidiária informou que manteria seus planos de investimento no Brasil --US$ 1,5 bilhão até 2012.

Para atender as montadoras, o BNDES vem analisando como impedir que a situação crítica das matrizes contamine a avaliação de capacidade das subsidiárias brasileiras de honrar o compromisso.

A saúde financeira das matrizes é avaliada pelos bancos ao emprestar a uma subsidiária de multinacional. O "dilema" do BNDES foi relatado recentemente por seu presidente, Luciano Coutinho. A preocupação é garantir crédito no momento em que as montadoras no país não poderão contar com suas matrizes combalidas pela crise.

De janeiro a abril, a indústria automobilística deu entrada em pedidos da ordem de R$ 3,4 bilhões, ante R$ 1,6 bilhão em igual período de 2008. Os empréstimos levam, em média, nove meses até a liberação.

O ritmo de crescimento supera o de consultas em geral no BNDES no período, de 34%, fechando em R$ 77 bilhões.

Segundo o banco, o ritmo das montadoras retoma os níveis de 2007 e surpreende pelo período em que ocorre. Geralmente, as consultas do setor crescem no segundo semestre.

O maior volume de pedidos de financiamento também se deve a um "represamento". Quando a crise se aprofundou, em setembro, montadoras, surpreendidas pela queda nas vendas no país e nas exportações, suspenderam investimentos.

Antes da crise, com os seguidos recordes de produção, montadoras chegaram perto do limite da capacidade de fabricação. Mas, com a queda na produção e nas vendas, voltou-se a ter uma margem. "A retomada dos níveis anteriores não deve ocorrer nos próximos dois anos", afirma Fábio Silveira, economista da RC Consultores. "O investimento faz sentido para o longo prazo."

A Anfavea (associação de fabricantes) diz que, de fato, os investimentos miram o longo prazo. A entidade prevê que, até 2013, o crescimento do mercado interno levará o país ao quinto lugar no mundo em produção --hoje é o sexto.

Apesar da crise global, as vendas de veículos leves ficaram estáveis entre janeiro e maio em relação ao mesmo período de 2008 --1,1 milhão de unidades. As vendas de caminhões caíram 19%. As exportações de carros caíram 46%, e as de caminhões, 67%.

Silveira faz uma alerta sobre os investimentos. "O Brasil está na mira de montadoras asiáticas já presentes aqui e de novas, que vêm com dinheiro próprio. O mercado deve ficar mais concorrido, o que pode não justificar a expansão da produção."

Comentários dos leitores
Cassio Tavares (663) 26/11/2009 20h22
Cassio Tavares (663) 26/11/2009 20h22
Acabei de ler na Revista Veja na casa de um meu amigo, uma reportagem em que lá pelas tantas diz assim : O BRASIL PASSA AGORA PELO SEU MELHOR MOMENTO NOS ÚLTIMOS 30 ANOS. Que isso ? Já vai se entregar assim de vez ? Um aviso. Assim sendo, dentro de algum tempo voce poderá topar na banca com uma nova revista, que se chamará IN.VEJA. sem opinião
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Cassio Tavares (663) 26/11/2009 18h44
Cassio Tavares (663) 26/11/2009 18h44
Celso Assis, acorda. Voce está lendo o jornal de uns 10 anos atrás. Olhe a data aí no alto. 1 opinião
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celso assis (67) 26/11/2009 16h04
celso assis (67) 26/11/2009 16h04
COMO TODO CIDADAO DESTE PAIS TB ESTOU TORCENDO POR UMA RECUPERAÇAO EM 2010. SE FOR NECESSARIO, POIS ANALISTAS DA MIDIA DIZEM QUE NEM HOUVE CRISE.
MAS ESTOU COM UM PÉ ATRAS, POIS CERTAMENTE TEMOS AQUI E EM OUTROS PAISES EMERGENTES, UMA BELA BOLHA NAS BOLSAS, NOS IMOVEIS, ETC.
PARECE QUE A ECONOMIA ESTA SENDO TOCADA NA BASE DE DINHEIRO EMPRESTADO, QUE LOGO PODE ESGOTAR-SE OU REDUNDAR EM CALOTES IMENSOS.
TB TEMOS QUE TORCER MUITO PARA QUE O MUNDO NAO SOFRA UMA RECAIDA TAO LOGO TERMINEM O FORNECIMENTO DOS ANALGESICOS (POLITICA MONETARIA E FINANCEIRA EXTREMAMENTE FROUXA), QUE ESTAO SENDO MINISTRADOS AO PACIENTE, AINDA NA UTI, E QUE SE RETIRADOS CAUSA A VOLTA DE FEBRE LÁ PELOS 42 GRAUS, SEGUIDAO DO COLAPSO TOTAL.
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