Zeca Pagodinho teme suspensão de show e vai usar TV para quebrar silêncio
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SÉRGIO RIPARDOda Folha Online
O sambista carioca Zeca Pagodinho, 45, decidiu quebrar o silêncio e vai se manifestar sobre as acusações de "traíra", lançadas pela cervejaria Schincariol, dona da marca "Nova Schin". Ele aceitou participar do programa da apresentadora Hebe, no SBT, na próxima segunda-feira.
O cantor rompeu o acordo com a cervejaria, em troca de um contrato estimado em R$ 3 milhões com a concorrente AmBev, dona da marca Brahma.
Criticado por quebrar um contrato por causa de dinheiro e por reeditar a "Lei de Gerson" [um anúncio feito pelo jogador Gerson, que falava em levar vantagem em tudo], Pagodinho será alvo de um processo na Justiça a ser movido pela Schincariol nos próximos 20 dias.
Segundo a Folha Online apurou, o cantor está preocupado com a repercussão negativa do caso e com a superexposição de sua imagem. Teme suspensão de contratos. Por enquanto, ele manda dizer, por meio de sua assessoria, que a agenda de shows está mantida até julho. O próximo show está marcado para o próximo mês, em Belo Horizonte (MG).
O apresentador Gugu Liberato, do programa "Domingo Legal", do SBT, também convidou o sambista para falar sobre o caso no próximo domingo. Mas Pagodinho deve recusar o convite. No ano passado, Gugu se envolveu no caso de fraude de uma entrevista com integrantes da facção criminosa PCC, o que deixou sua imagem bastante arranhada.
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Pesquisa da Brahma mostra que só 65% dos entrevistados acharam que Zeca "fez muito bem" em mudar de lado, informou ontem a coluna de Mônica Bergamo, na Folha Online.
No comercial veiculado anteontem pela Schincariol, um sósia de Pagodinho aparece em um bar, onde uma placa diz que o prato do dia é "traíra", sugerindo que o cantor aceitou US$ 3 milhões para romper o contrato com a Brahma e aparecer em um filme cantando o trecho polêmico "Fui provar outro sabor, eu sei. Mas não largo meu amor, voltei".
A Rede Globo não cobre o caso. A emissora recebe a maior parte da verba publicitária das duas empresas. A "guerra das cervejas" acontece principalmente nos intervalos do "Jornal Nacional", principal telejornal da Globo.
Desde a sexta-feira passada, a Folha Online tenta ouvir Pagodinho sobre o caso. Segundo a assessoria do sambista, ele recusou o convite de entrevista, não pretende divulgar nota nem falar à imprensa.
AmBev e Schin proibidas de divulgar dados
A consultoria ACNielsen proíbe a AmBev e a Schincariol de divulgar dados sobre a evolução de suas participações no mercado nacional de cervejas. As empresas podem ser multadas por desrespeito ao sigilo previsto em contrato, segundo a ACNielsen.
A consultoria evita, inclusive, confirmar ou desmentir os números divulgados extra-oficialmente pelas cervejarias. As empresas têm interesse de tornar público que sua fatia cresceu. Mas a ACNielsen alerta: muitas vezes os números são manipulados pelas empresas, que só divulgam suas participações em regiões onde as vendas estão crescendo.
Outra forma de burlar o contrato com a ACNielsen é deixar para a agência de propaganda a tarefa de divulgar os números. Assim, a cervejaria pode se eximir de que violou o contrato.
A ACNielsen considera que seu nome é usado na "guerra das cervejas" para dar credibilidade aos números --o que acaba induzindo o público a uma avaliação positiva ou negativa sobre a marca. As cervejarias encomendam pesquisas de outras empresas, que nem sempre são "vazadas".
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