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22/12/2003 - 10h14

Melhores de 2003: Brasil

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GUILHERME WERNECK
da Folha de S.Paulo

Talvez nenhuma banda de rock brasileiro tenha feito tanto sucesso em 2003 quanto o Charlie Brown Jr. --os garotos-propaganda da Coca-Cola--, embora o CPM22 tenha chegado perto. O chamado hardcore melódico, que fez a cabeça de muita gente durante o ano, produziu alguns hits inescapáveis, mas as idéias dessa turma não são criativas nem originais o suficiente para ficar na memória.

O mesmo aconteceu com os grandes nomes do BRock. Os sobreviventes dos anos 80 mostraram pouco, com a exceção de Nando Reis, que, em "A Letra A", criou canções envolventes.

Mas de onde saíram, então, os bons discos de 2003? Aqueles que foram além do samba de uma nota só? Basicamente, de duas frentes: uma que privilegiou a canção e outra que se dedicou à experimentação. Nos dois casos, os melhores trabalhos foram aqueles que estabeleceram um diálogo inteligente com a MPB, digerindo o passado para criar propostas musicais alternativas.

Los Hermanos foi a banda-síntese desse primeiro grupo, do qual fazem parte também Nando Reis, Maria Rita e Otto. "Ventura", terceiro disco dos cariocas, é excepcional ao unir a tradição do rock independente com a MPB e o samba. E ninguém hoje escreve letras com a mesma sensibilidade de Rodrigo Amarante e Marcelo Camelo, este último autor das melhores faixas do disco de Maria Rita, de longe o lançamento brasileiro que fez mais barulho no ano.

O último integrante desse grupo é Otto. "Sem Gravidade" pode ser considerado o menos experimental dos discos do pernambucano, mas é, sem dúvida, o mais lírico e pessoal. E tem um trunfo nas letras aparentemente difíceis, que se tornam cristalinas a cada nova audição.

Domenico + 2 e Marcelo D2 foram os grandes mestres do estúdio em 2003, e os principais nomes numa lista de inovadores que conta ainda com BNegão e Bonsucesso Samba Clube. D2 foi atrás da batida perfeita e a encontrou na fusão de hip hop e samba, principalmente o de partido-alto.

Domenico, mais eclético, usou da eletrônica e de grandes músicos em "Sincerely Hot" para reler e atualizar a música dos anos 70, de Marcos Valle a Miles Davis. Situado entre os dois, BNegão retorceu o hip hop e foi atrás de suas raízes no reggae e no funk em "Enxugando Gelo". Também partindo do reggae, principalmente o dub, o Bonsucesso Samba Clube criou um disco repleto de texturas, na melhor tradição do mangue beat. Só falta tocar no rádio e na TV.

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