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14/08/2007 - 14h23

Turquia cancela visita de religioso do Chipre a líder de igreja

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da Ansa, na Cidade do Vaticano
da Folha Online

Pela segunda vez em quatro meses, a Turquia cancelou a visita do arcebispo da Igreja Ortodoxa do Chipre, Chrysostomos, ao patriarca ecumênico de Constantinopla, Bartolomeo 1º, prevista para ocorrer entre 17 e 21 de agosto.

O terço norte da ilha de Chipre e a parte norte da capital encontram-se sob ocupação militar turca. A administração militar proclamou uma república turco-cipriota, reconhecida apenas pela Turquia. O episódio anunciado hoje é o mais recente das tensas relações na região do Chipre ocupada pelos militares turcos desde 1974.

Segundo a agência de notícias AsiaNews do Pontífico Instituto das Missões Exteriores, a visita, de caráter religioso, já tinha sido cancelada anteriormente pelo governo turco em maio deste ano.

A decisão é paradoxal à vitória nas eleições de julho do premiê Recep Tayyip Erdogan, defensor do ingresso da Turquia na União Européia (UE), que deveria, portanto, assegurar os direitos das minorias religiosas no país.

"É um direito da Turquia não permitir o ingresso no próprio território a qualquer pessoa, independentemente de quem, como nós, quiser acreditar que o país tenha desejo de mostrar uma aparência democrática e liberal, não só para a Europa, mas também ao resto do mundo", disse Chrysostomos à rádio grega Skai.

Com esta decisão, "o governo de Ancara mostrou sua verdadeira aparência", disse.

O arcebispo anunciou a intenção de enviar uma carta à Santa Sé e ao Conselho mundial da Igreja sobre o ocorrido. O objetivo é que, deste modo, se consiga "sensibilizar a comunidade internacional sobre a incredibilidade do governo turco em temas de direitos".

O arcebispo do Chipre disse que encontrará o patriarca ecumênico em outro lugar para exprimir toda a sua solidariedade e levar seus agradecimentos pela contribuição dada à solução dos muitos problemas desencadeados dentro da Igreja Ortodoxa.

Chrysostomos afirmou que "não existem divergências entre os ortodoxos e os irmãos turco-cipriotas muçulmanos", e que o verdadeiro problema é a "interferência de Ancara, que bloqueia qualquer tentativa de integração entre as duas comunidades".

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