Mundo
14/01/2008 - 18h20

França pressiona líderes latino-americanos por libertação de Betancourt

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da Folha Online

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, enviou aos seus homólogos reunidos na Guatemala para a posse do presidente Álvaro Colom uma mensagem para que se mobilizem a fim de conseguir a libertação dos reféns das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), principalmente Ingrid Betancourt.

Assim declarou Rama Yade, secretária de Relações Exteriores e de Direitos Humanos da França, que deveria reunir-se com o presidente colombiano Álvaro Uribe e com o líder venezuelano Hugo Chávez.

Em nome do presidente francês e do premiê, François Fillon, Yade agradeceu "calorosamente" aos países da América Latina e "mais especialmente da América Central, que se mobilizaram para a libertação dos reféns das Farc" Clara Rojas e Consuelo Gonzáles de Perdomo, na última quinta-feira (10).

"Mas consideramos que esta libertação deve ser um estímulo para permitir a libertação dos demais reféns, entre os quais está Ingrid Betancourt", disse Yade, que afirmou ainda que o estado de saúde dos seqüestrados, muitos dos quais ficam até dez anos em cativeiro, converte o processo em "uma corrida contra o relógio".

Betancourt

Ingrid Betancourt, de cidadania franco-colombiana, foi seqüestrada em fevereiro de 2002, quando era candidata à Presidência da Colômbia, junto com Rojas, que à época era sua assessora.

"A urgência humanitária requer que atuemos o quanto antes, e que a comunidade internacional continue mobilizada, porque como demonstraram as provas de vida de Ingrid Betancourt, alguns reféns encontram-se em estado de grande debilidade", afirmou a enviada de Sarkozy.

AP
Foto de Betancourt divulgada pelas Farc; prova de vida é incentivo para libertação
Foto de Betancourt divulgada pelas Farc; prova de vida é incentivo para libertação

"O presidente Sarkozy convida as Farc a fazerem gestos adicionais ao que acabam de fazer, libertando sem demora as mulheres e os doentes", afirmou, dizendo pouco depois querer "que libertem todos os reféns".

Além dos encontros com Uribe e Chávez ao longo desta segunda-feira, Yade reuniu-se com o presidente do Equador, Rafael Correa, com o costarriquenho Oscar Arias, com o mandatário do Panamá, Martín Torrijos, e com o anfitrião, Alvaro Colom, levando a eles uma carta do presidente francês.

Face às dúvidas sobre a vontade das Farc, que no domingo seqüestraram um grupo de turistas colombianos, Yade afirmou que a comunidade internacional "não tem outra opção que seguir mobilizando-se e mobilizar nossos sócios latino-americanos".

"Por isso que contamos com o presidente Uribe, Chávez e os demais presidentes para que desempenhem um papel de facilitadores. É uma questão de urgência humanitária", disse.

Lista de terroristas

O alto representante de Política Externa e Segurança Comum da União Européia (UE), Javier Solana, disse nesta segunda-feira que, neste momento, não há por que modificar a classificação das Farc como organização terrorista.

"Não acho que, neste momento, as circunstâncias" sejam propícias para a "tomada de decisões sobre um tema já decidido", disse Solana à agência de notícias Efe sobre a proposta de Chávez para que as Farc sejam retiradas da lista de grupos e organizações terroristas elaborada pela UE.

Neste momento, disse Solana, "na UE não há nenhum debate sobre as Farc ou a lista de organizações terroristas".

"E não acho que vá haver um num futuro próximo", acrescentou Solana.

Reencontro

A ex-congressista Consuelo González de Perdomo viajará na tarde desta segunda-feira a Bogotá, de acordo com informações de fontes oficiais venezuelanas.

Segundo as fontes, a partida de González está prevista para 14h (16h30 de Brasília) na zona oficial do aeroporto internacional Simón Bolívar de Maiquetía, nos arredores de Caracas.

Não foi informado se a ex-parlamentar viajará a bordo de um avião enviado pelo governo da Colômbia --como fez neste domingo a advogada Clara Rojas, a segunda refém libertada na semana passada pela guerrilha colombiana.

Reuters
Ex-refém das Farc Clara Rojas abraça filho Emmanuel após 3 anos de separação
Ex-refém das Farc Clara Rojas abraça filho Emmanuel após 3 anos de separação

Após retornar a Bogotá, Rojas pode rever seu filho Emmanuel, 3, depois de três anos de separação. "Eu me sinto a mulher mais feliz do mundo e mais orgulhosa com o meu bebê. Ele está divino, tem um olhar lindo", disse ela, emocionada.

As cenas do reencontro --que ocorreu em local não identificado em Bogotá-- foram divulgadas em vídeo pelo Instituto Colombiano de Bem-Estar Familiar (ICBF).

A diretora do ICBF, Elvira Forero, explicou que Rojas e Emmanuel passarão por "sessões de conhecimento" para que o menino forme vínculos com a família e tenha a "qualidade de vida que merece". A custódia do garoto foi concedida a ela provisoriamente, até que os trâmites para a guarda permanente se encerrem, provavelmente no prazo de duas semanas.

A ex-refém voltou a pedir compreensão dos meios de comunicação e de todo o mundo.

"Venho em um processo forte de esgotamento. Então, quero pedir para ficar tranqüila", afirmou. Ela disse que sua mãe, Clara González de Rojas, Emmanuel e ela própria passarão por tratamentos médicos, e precisam descansar 'uns dias, semanas ou meses'.

Mais uma vez, Rojas agradeceu a "todos os concidadãos, compatriotas e amigos do mundo" pelo bem que fizeram a ela e a seu filho.

Seqüelas

Emmanuel ainda sofre seqüelas de seu tempo em cativeiro. Uma fratura em um braço durante o nascimento ainda o impede de fechar a mão. Emmanuel sofreria ainda problemas psicomotores. Ele foi entregue a um orfanato com malária, leishmaniose e diarréia aguda.

O garoto é fruto de uma relação consentida entre Rojas e o guerrilheiro Juan David, de quem Rojas não tem mais notícias.

As Farc decidiram separar o garoto da mãe poucas semanas após o nascimento. De acordo com a guerrilha, em comunicado recente, Emmanuel não 'poderia crescer em meio às operações bélicas, dos combates e das contingências da selva'.

No princípio de 2005, os guerrilheiros deixaram Emmanuel sob os cuidados do camponês José Crisantemo Gómez Tovar, que o levou para tratamento médico em um posto de saúde. Porém, devido às evidências de maus tratos, Emmanuel foi levado ao ICBF e passou à guarda do Estado.

Libertação

No dia 18 de dezembro, as Farc anunciaram que libertariam Rojas, Emmanuel e a ex-congressista Consuelo González como "ato de desagravo" ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afastado abruptamente das mediações entre a guerrilha e o governo da Colômbia.

A operação, no entanto, não foi bem-sucedida porque o garoto não estava mais com a guerrilha, como o governo colombiano revelou.

Uma segunda operação conduzida pela Venezuela resgatou Rojas e González na última quinta-feira (10). Elas estavam em poder das Farc havia mais de cinco anos.

Com France Presse e Efe

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Comentários dos leitores
Jorge Bronze (42) 02/12/2009 07h58
Jorge Bronze (42) 02/12/2009 07h58
JR, você deveria dizer que os votos estão sendo comprados juntamente com suas consciências. Os bolsas diversas não dignificam ninguém, apenas resolvem num momento o seu problema, este desgoverno pretende criar mais dois bolsas, o da cultura e o do celular, isso se chama compra de voto, e o PT é PHD nisso, agora falar em 3º mandato para o imcomPeTente, é exatamente fazer o que o lixo do Zelaia iria fazer, se perpetuar no poder como alguns idiotas estão querendo fazer na América Latina, simplificando alguns são cópias baratas do Hugo Chavez e este por sua vez é uma planta nascida do esterco da revolução cubana. Este governo, tem sim laços de amizade com as FARC, pois guerrilheiro defende guerrilheiro, o caso mais conhecido neste governo é a Dilma, que era também colega do heroi do PT "Lamarca", guerrilheiro assassino cruel, assaltante de bancos, (aliás a Dilma também foi), sequestrador, ladrão de armas do exército, desertor, e ainda assim sua familia recebeu mais de um milhão de indenização mais a pensão de coronel. sem opinião
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Ricardo Perrone (48) 12/11/2009 11h26
Ricardo Perrone (48) 12/11/2009 11h26
O Governo colombiano não deveria exercer esse tipo de artifício para capturar assassinos, bandidos ou guerrilheiros. Pagar recompensa é um estímulo a práticas detestáveis do caráter humano, como: ganância, traição e mentira. O governo deveria pegar o valor de tal recompensa e empregar nas atividades investigativas da polícia ou mesmo em sua modernização. O Estado deve ter por meta estimular o bom comportamento na sociedade, banindo práticas detestáveis mesmo que sejam por uma boa causa. 5 opiniões
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O Pacificador (232) 12/11/2009 11h03
O Pacificador (232) 12/11/2009 11h03
"Governo colombiano oferece US$ 1 milhão pelos assassinos de soldados do país..."
Nem precisava tanta grana.
Quem pode entregar os "cabeças" das Farc, é só gente interna mesmo.
Por dinheiro, que a verdadeira ideologia deles, esses "guerilheiros", fazem qualquer coisa.
Como já mostraram antes que são capazes, cortando até as maos de um líder da guerilha, para comprovar sua eliminação.
Uma fração do oferecido, teria sido mais do que sufiente...
sem opinião
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