Piratas ficaram "incontroláveis", diz diretor do Escritório Marítimo
colaboração para a Folha Online
da France Presse
O Escritório Marítimo Internacional (International Maritime Bureau, IMB) afirmou considerar os ataques de piratas somalis incontroláveis desde o último fim de semana, quando houve o ousado seqüestro de um superpetroleiro saudita e o rapto de outros três navios.
"A situação observada nas últimas semanas mostra um aumento anormal dos atos de violência e das capturas de navios, apesar do reforço da segurança na região", disse Noel Choong, o diretor do Centro de Observação da Pirataria do IMB, que tem sede em Kuala Lumpur.
"Na ausência de dissuasão, com riscos pequenos e a perspectiva de lucros elevados para os piratas, os ataques vão continuar", afirmou. "A situação já é incontrolável. Os Estados Unidos e a comunidade internacional devem fazer esta ameaça cessar", acrescentou.
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Segundo Noel Choong, os piratas seqüestraram nesta terça-feira (18) um pesqueiro tailandês no golfo de Aden, com 16 tripulantes. No mesmo dia também foram capturados um cargueiro com bandeira de Hong Kong nas costas do Iêmen e um navio grego. No fim de semana, o Sirius Star, um superpetroleiro saudita com carga de dois milhões de barris, foi seqüestrado mais de 450 milhas náuticas (800 km) ao sudoeste de Mombaça.
Segundo o IMB, desde janeiro, os piratas atacaram 94 navios na costa da Somália e no golfo de Áden. Destes, 38 foram seqüestrados e 17 continuam nas mãos dos piratas, com um total de 250 tripulantes a bordo, 127 deles filipinos.
A Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), os Estados Unidos e vários países europeus enviaram navios à região em uma tentativa, sem sucesso, de impedir a pirataria.
O golfo de Aden controla o acesso ao Canal de Suez, através do qual os navios podem viajar da Ásia para a Europa evitando margear todo o continente africano. Esta é uma via marítima crucial para os petroleiros. O Japão também analisa o envio de uma missão naval à zona para proteger seus cargueiros.
O Escritório Marítimo integra a Câmara Internacional de Comércio (ICC, na sigla em inglês), uma organização privada internacional com membros de 130 países, que tem como objetivo promover os negócios entre países diferentes.
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