Mundo
08/06/2009 - 07h39

Telefonema de Fidel rompeu impasse na OEA, diz Chávez

Publicidade

da Folha de S.Paulo, no Rio

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que falou três vezes por telefone com o ex-ditador cubano Fidel Castro, na manhã da quarta-feira passada, antes de fechar o apoio à resolução que suspendeu o veto ao governo cubano na OEA (Organização dos Estados Americanos).

A versão do venezuelano sobre o rompimento do impasse foi dada na última edição das "Linhas de Chávez", textos que ele escreve inspirados nas "Reflexões" que Fidel publica na internet e na imprensa estatal cubana desde que passou seus cargos executivos ao irmão Raúl Castro.

O presidente da Venezuela conta que esteve em contato com Fidel, que lhe enviava mensagens por escrito, durante toda a negociação do grupo de trabalho de dez países que se reuniu, por sugestão do Brasil, à margem da Assembleia Geral da OEA em San Pedro Sula, Honduras.

Do grupo faziam parte tanto Venezuela quanto os EUA, que até a segunda-feira passada estavam isolados em sua oposição a que o veto de 47 anos a Cuba fosse anulado.

Na noite de terça-feira, a situação havia se invertido. Os EUA cederam e fecharam com a maioria dos latino-americanos e caribenhos o texto que revoga a decisão da Guerra Fria, sem no entanto tornar automática a participação cubana na OEA. Mas os seis países da Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas) resistiam.

"A essa hora se perfilava o cenário que tínhamos previsto como mais provável: não haveria acordo (...). As consequências seriam imprevisíveis, mas uma delas era iminente: a OEA sairia dali dividida e com um míssil em sua linha de flutuação", escreveu Chávez, que via "sinais de desespero nas fileiras adversárias" (os EUA).

Foi então, de acordo com o venezuelano, que a Alba lançou sua "ofensiva final". "No meio da manhã [de quarta-feira, dia 3], Fidel telefona e conversamos diretamente não menos de três vezes; ligou para Evo [Morales, presidente da Bolívia] e para [Rafael] Correa [presidente do Equador], falou com Daniel [Ortega, presidente da Nicarágua] e com [Manuel] Zelaya [presidente hondurenho]. Conseguimos!"

A resolução finalmente consensual foi a mesma que estava pronta na noite de terça-feira, mas a reviravolta da Alba surpreendeu os negociadores americanos. Até então, o bloco chavista afirmava se opor à redação do preâmbulo, que por insistência dos EUA cita os princípios de democracia, direitos humanos e segurança.

Também ontem, a jornais chilenos e argentinos, o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, disse que a decisão do organismo facilita o diálogo bilateral entre EUA e Cuba, com vistas ao fim do embargo econômico americano. "Se a resolução contribuir para o fim do bloqueio, então será histórico. Mas estamos só começando", disse.

Chávez, por outro lado, comemorou também o anúncio da adesão à Alba do Equador, o que será formalizada em cúpula no dia 24. O bloco terá então oito países, incluindo Cuba e mais dois caribenhos: Dominica e São Vicente e Granadinas.

Comentários dos leitores
caio bastos lucchesi (256) 27/11/2009 09h44
caio bastos lucchesi (256) 27/11/2009 09h44
Herói,só se for em comédia dos Trapalhões,sem o
romantismo de um Che Guevara,ou a eficiência do
Bin Laden,El Gran de Coca Cola nem como tenor de
ópera bufa,tem lugar na história.É um personagem
que já nasceu póstumo...
sem opinião
avalie fechar
O Pacificador (209) 18/11/2009 20h02
O Pacificador (209) 18/11/2009 20h02
"Presidente de TV diz que Chávez faz de tudo para levá-lo à prisão..."
E continuará fazendo...
Essa gente, odeia a imprensa livre e os direitos individuais.
A Argentina, segue pelo mesmo caminho perigoso.
O Brasil, está aos poucos sendo cercado por um "muro" de populistas e demagogos da pior espécie.
O triste é saber, que tem muita gente aqui, que adoraria ir pelo mesmo caminho dos comunistas bolivarianos.
Vão sonhando, vão sonhando...
28 opiniões
avalie fechar
Santos Júnior (307) 18/11/2009 01h00
Santos Júnior (307) 18/11/2009 01h00
"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer erigir para si um pedestal onde possa aparecer ante a Europa e os Estados Unidos como o grande patrono da governança latino-americana. Auto-suficiente e com um visível tom de desprezo, seu anúncio inconsulto feito em Londres ante os editores do Financial Times, no sentido de que ele "reunirá" em 26 de novembro Hugo Chávez e Álvaro Uribe em Manaus "para que resolvam suas diferenças", é um insulto à Colômbia e uma piada à realidade do que está ocorrendo no continente.
Depois de ter apoiado, por ação ou omissão, o expansionismo totalitário do chefe de Estado venezuelano, Lula quer dar-lhe uma virgindade e apresentá-lo como uma vítima dos Estados Unidos e da Colômbia.
É bom o sr Lula tirar o cavalinho da chuva que a festinha está prestes a terminar.
7 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (651)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca