França diz que proposta de acordo nuclear só depende do Irã
da Folha Online
O diretor político do Ministério de Relações Exteriores francês, Jacques Audibert, disse nesta quarta-feira que a atual proposta de acordo nuclear com o Irã agrada "a França e todos seus aliados". "As quantidades e prazos que nos parecem adequados figuram [na proposta]. Agora temos de esperar para ver se o Irã irá aceitá-la. Eles têm dois dias para dizer se os agrada."
Mais cedo, o chefe da delegação do Irã no diálogo, Ali Asghar Soltanieh, afirmou que o texto está "no caminho certo", mas que ainda quer "estudar a fundo o texto e elaborar mais sobre os números". Em seguida, ele reafirmou o direito do Irã de enriquecer urânio.
Essa proposta de acordo foi entregue nesta quarta-feira para Estados Unidos, Rússia, França e o Irã, depois de negociação ocorrida em Viena, na Áustria. O texto precisa ser ratificado em todos os países, e o prazo para análise acaba nesta sexta-feira (23).
Segundo diplomatas citados pelas agências internacionais, a proposta de acordo estabelece que o Irã enviará grande parte do urânio pouco enriquecido que possui --1,2 tonelada da 1,5 tonelada existente- para Rússia e França, onde o material seria reprocessado para, depois, ser devolvido ao Irã com até 19,75% de pureza --o suficiente para gerar energia, mas pouco para produzir armas nucleares.
Desta forma, as potências reduziriam drasticamente as reservas de urânio iranianas, sem minar os esforços pacíficos que o país diz almejar. Para produzir uma bomba atômica, são necessárias cerca de 2 toneladas de urânio enriquecido a 90%.
O Irã já afirmou que, se as negociações fracassarem, enriquecerá o urânio até 20% de pureza por conta própria para alimentar um reator médico que permite o diagnóstico e o tratamento do câncer. Esse reator funcionava até agora com combustível atômico de fabricação argentina, recebido em 1993, e que está acabando.
Conforme o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei, o prazo para que os governos dos quatro países envolvidos se manifestem ou ratifiquem o texto acaba nesta sexta-feira (23). "Foi feito circular um projeto de acordo que em minha opinião reflete um enfoque equilibrado para progredirmos", disse ElBaradei.
Ele disse ainda que qualquer acordo do tipo deve ser submetido ao comitê de 35 membros da AIEA para a ratificação. A próxima reunião do comitê está marcada para o final de novembro. "Todo mundo, nestas conversas, tenta olhar para o futuro, e não para o passado, e curar as feridas existentes por muitos anos. [...] Este acordo deve abrir espaço para as negociações em aspectos mais amplos para resolver a crise."
O regime iraniano nega que tenha intenções bélicas com o programa nuclear e diz que enriquece urânio apenas para produzir combustível para reatores nucleares de pesquisas, principalmente para produzir isótopos usados para tratar alguns tipos de câncer.
O Irã está submetido a três séries de sanções do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) por desafiar os pedidos para congelar o enriquecimento de urânio. As sanções incluem a embargos a todas as transferências de materiais nucleares ou tecnologias que possam ser usadas para a atividade.
Com agências internacionais
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Abdul Khaleq Abdullah, um professor de ciência política da Universidade dos Emirados Árabes Unidos disse: "Eu acho que os Estados do Golfo fazem bem em desenvolver agora estratégias com base na suposição de que o Irã está prestes a se tornar uma potência nuclear. É um jogo totalmente novo. O Irã agora está forçando todos na região a entrarem em uma corrida armamentista."
Esta percepção, por sua vez, gera novas ansiedades e abala velhas suposições.
Escrevendo para o jornal pan-árabe "Al Quds Al Arabi", o editor, Abdel-Beri Atwan, disse que com os recentes desdobramentos "os regimes árabes, e os do Golfo em particular, se verão como parte de uma nova aliança contra o Irã ao lado de Israel".
O chefe de um proeminente centro de pesquisa em Dubai disse que poderia até mesmo ser melhor se o Ocidente -ou Israel- realizasse um ataque militar contra o Irã, em vez de permitir que ele se transforme em uma potência nuclear. Esse tipo de conversa por parte dos árabes quase não era ouvida antes da revelação da segunda instalação de enriquecimento, e apesar de ainda ser rara, reflete o crescente alarme.
"A região pode conviver melhor com uma retaliação limitada por parte do Irã do que viver com uma dissuasão nuclear permanente. Eu defendo a realização do trabalho agora em vez de viver o restante da minha vida com uma hegemonia nuclear na região que o Irã gostaria de impor."
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