China cita Linconln para alertar Obama sobre dalai-lama
CHRIS BUCKLEY
da Reuters, em Pequim (China)
O governo chinês disse nesta quinta-feira que o presidente americano, Barack Obama, deveria ser especialmente solidário com a oposição da China ao líder espiritual tibetano dalai-lama e à independência tibetana já que ele é um presidente negro que louva Abraham Lincoln por ter ajudado a abolir a escravidão.
Obama preferiu evitar polêmicas e acabou não recebendo o dalai-lama quando ele visitou Washington, em outubro passado. Mas o dalai-lama tem dito que ambos poderão se encontrar depois da passagem de Obama pela China, cujo regime acusa o monge tibetano de buscar a independência da sua região.
Qin Gang, porta-voz da chancelaria chinesa, disse que a China certamente condenará tal encontro.
Segundo Qin, Obama deveria lembrar de sua admiração pelo presidente Lincoln, que se opôs à secessão dos Estados sulistas e lutou pela abolição da escravatura --o que comparou à sociedade tibetana sob a liderança do dalai-lama.
Após tomar posse como presidente dos EUA, Obama declarou que jamais chegaria ao cargo se não fossem os esforços de Lincoln, lembrou Qin. "Ele é um presidente negro, e entende o movimento de abolição da escravatura e o grande significado de Lincoln para esse movimento", disse Qin.
"Lincoln desempenhou um papel incomparável na proteção da unidade nacional e da integridade territorial dos Estados Unidos", afirmou Qin, dizendo que a postura do atual governo chinês é semelhante à de Lincoln.
"Esperamos que o presidente Obama, mais do que qualquer outro líder estrangeiro, possa captar melhor e mais profundamente a posição da China na proteção da soberania nacional e da integridade territorial."
O dalai-lama diz não ser um separatista, alegando que defende meramente a autonomia para o Tibete, de onde fugiu há 50 anos, para estabelecer um governo no exílio.
Questionado sobre as consequências de uma possível reunião entre Obama e o líder tibetano, Qin disse que Pequim se opõe a tais encontros e se preocupa muito com eles.
"Devemos valorizar as circunstâncias positivas e as oportunidades para as relações China-EUA", disse Qin. "Em particular, ambos os lados devem respeitar seus interesses e preocupações principais, e as questões tibetanas estão entre os principais interesses e preocupações da China."
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