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20/04/2005 - 15h10

Estagnação econômica explica recuo do catolicismo no Brasil, diz FGV

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JANAINA LAGE
da Folha Online, no Rio

A perda de fiéis da Igreja Católica no Brasil está diretamente relacionada com as chamadas "décadas perdidas", os anos seguidos de estagnação econômica que o Brasil enfrentou, segunda a avaliação da pesquisa "Retratos das Religiões no Brasil", divulgada pela FGV (Fundação Getúlio Vargas).

A pesquisa foi elaborada a partir dos dados do Censo 2000, realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O Brasil ainda é o país com o maior número de católicos do planeta, mas as estatísticas mostram que nos últimos anos o catolicismo vem perdendo espaço para os evangélicos e para os sem religião.

Entre 1940 e 1980, a taxa de adesão à religião católica apresentou queda de 6 pontos percentuais e passou de 95,01% para 89,19%. Nos últimos vinte anos, no entanto, a perda de fiéis ganhou fôlego e a adesão caiu 14 pontos percentuais. Em 2000, os católicos representavam 73,9% dos brasileiros.

Segundo a FGV, a cada geração o percentual de católicos cai e cresce o de evangélicos e sem religião.

Para o economista da FGV Marcelo Neri, a justificativa para o declínio da religião católica no Brasil está relacionada à estagnação econômica. "Pode ser uma busca da sociedade por outras crenças em períodos de dificuldade econômica", disse.

Segundo o economista, as religiões evangélicas passaram a suprir o papel do Estado, principalmente nas grandes cidades, oferecendo uma rede de proteção social e também a possibilidade de ascensão social.

O segundo grupo isolado de maior peso no país é o de pessoas sem religião. Ele representa 7,35% da população e registrou maior expansão na década de 80. No entanto, considerando as diversas ramificações observadas nas igrejas evangélicas, elas apresentam um percentual superior, de 16,2%.

A pesquisa mostra que a religiosidade cresce de acordo com a idade. A participação dos sem religião no último censo entre pessoas de 20 a 29 anos era de 9% contra 3,8% dos que têm mais de 60 anos. Segundo Neri, uma interpretação possível para isso é que a religiosidade ganha espaço com a aproximação do fim do ciclo de vida.

Mulheres

Apenas 5,7% das mulheres dizem não ter religião, enquanto 9% dos homens fazem a mesma afirmação. Apesar de se declararem mais religiosas, elas são menos católicas. Os homens que se dizem católicos chegam a 74,37% da população masculina, já as católicas não passam de 73,43% da população feminina.

"Nesses últimos trinta anos de revolução feminina, em que as mulheres conquistaram espaço no mercado de trabalho e nos bancos escolares chegando inclusive a superar o desempenho dos homens, a Igreja Católica pode não ter oferecido o espaço que a mulher necessita para a sua reinserção na sociedade", afirmou Neri.

Periferias

A participação da Igreja Católica é mais evidente no meio rural do que nas grandes cidades. O percentual de católicos nas regiões rurais é de 84,26%, nas capitais ele cai para 67,95% e nas periferias das regiões metropolitanas a adesão é ainda menor: 65,18%. É justamente neste nicho que a expansão das igrejas evangélicas é mais expressiva. O percentual de evangélicos chega a 20,72% nas periferias. Nos meios rurais ele é de apenas 10,15%.

Segundo Neri, o resultado reflete a ausência de políticas sociais nas grandes cidades, a chamada "crise social metropolitana". Embora a pobreza tenha crescido no campo, os programas assistenciais sociais voltados para os grotões de pobreza no país garantiram a adesão dos fiéis. A falta de articulação entre capitais e regiões metropolitanas é um dos fatores que contribuem para a menor representatividade da religião católica, na avaliação do economista. "Não adianta uma capital ter um excelente programa de segurança se os municípios da periferia não apresentam um trabalho correlato", disse.

A difusão das igrejas evangélicas é maior também entre os desempregados (16,52%) e inativos (16,08%). Entre os empregadores, o percentual cai para 11,26%. Segundo Neri, o resultado mostra que o crescimento das evangélicas, relacionado a períodos de maior incerteza econômica, não atinge da mesma forma as elites. A principal expansão do protestantismo no mundo ocorreu quando o capitalismo ganhou força, mas no Brasil acumulação de capital não significa entrave à adesão ao catolicismo. Entre os empregadores, 76,38% se declararam católicos.

Apesar disso, a diferença de renda entre católicos e evangélicos é de apenas 7%. Os espiritualistas ganham 31% a mais do que os católicos. Os sem religião ganham 10% a menos do que os católicos.

Na avaliação por Estados da federação, a presença católica é bastante superior na região Nordeste. O Piauí é o Estado mais católico, com 90,03% da população e o Rio de Janeiro, o menos católico, com 56,19%. São Paulo é o 19º Estado mais católico do país, com 70,53% da população. Na avaliação por municípios, o Rio Grande do Sul apresenta o maior destaque: nove entre os dez municípios mais católicos do país estão localizados no Estado.

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