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Naturismo mostra a cara e cresce nas praias dos EUA
da France Presse em Washington"Au naturel" (ao natural). É assim que os americanos designam, com um forte sotaque, as praias ou piscinas reservadas ao nudismo nos Estados Unidos. Essa prática teve um forte aumento no país, sobretudo no turismo de luxo.
"As pessoas buscam uma maneira mais 'relaxante' para passar as férias e os clubes naturistas oferecem grande divertimento, pois permitem que as pessoas viajem mais leves, sem grandes malas para carregar", explica Carolyn Hawkins, da AANR (Associação americana de turismo naturista).
Esta organização, que reúne dados sobre os clubes nudistas e as praias "au naturel", estima em cerca de US$ 500 milhões anuais o faturamento do setor, contra US$ 200 milhões em 1992.
"O movimento naturista, lançado há dez anos, está em aceleração", afirma Carrie Schultz, diretora de marketing do Caliente Resort, um luxuoso centro naturista situado perto de Tampa (Flórida), que conta com mais de 300 residências privadas.
Esses apartamentos, bangalôs ou casas valem hoje entre US$ 200 mil e US$ 500 mil.
"As pessoas que os compraram (no início desta década) apenas queriam passar férias naturistas no Caribe, já que não havia grande coisa nesse setor nos Estados Unidos", disse Schultz.
"As máscaras vão caindo. Fazemos publicidade pela TV e sabemos que isto existe. Há pessoas que apreciam este tipo de férias", sustentou.
Mais disseminado, o nudismo se torna também mais sofisticado nos Estados Unidos, onde agências de viagem especializadas propõem luxuosos cruzeiros pelo Caribe ou pela Europa.
A Bare Necessities, por exemplo, uma firma de Austin (Texas), reserva barcos inteiros e vende as viagens por entre US$ 800 e US$ 5.000 por pessoa.
Sua fundadora, Nancy Tiemann, recorda a época, no início dos anos 90, em que "era difícil encontrar um operador de cruzeiros que atendesse minhas ligações. Hoje, com os lucros, passamos a ser mais interessantes para eles".
Tiemann considera que a "forte alta do turismo naturista se deve à maior variedade de opções. Os americanos são um pouco acomodados, a maioria deles não quer acampar para poder ficar nu".
Em Palm Springs (Califórnia), o hotel de luxo Desert Shadows Inn, cujas diárias custam US$ 400, propõe passeios em grupo por trilhas no Indian Canyon, tudo isso tendo a pele como única vestimenta.
"Trata-se de uma reserva indígena em que não há lei proibindo a nudez", disse o fundador do Desert Shadows, Stephen Payne.
A AANR registrou nos Estados Unidos 270 organizações naturistas, sendo que 18 delas foram criadas no último ano.
A associação põe à disposição dos interessados a lista das praias públicas em que o nudismo é permitido. Um grande número delas está na Flórida. Em cada uma delas, um cartaz informa: "A partir deste limite, você pode estar exposto à nudez."
A AANR luta para ampliar os espaços naturistas junto aos serviços que administram os parques nacionais.
A associação reivindica uma praia em Assateague, ilha da costa de Maryland (leste). Uma pesquisa realizada a pedido da organização indica que a metade das pessoas entrevistadas na região são favoráveis a uma praia nudista, desde que avisos sejam colocados nas proximidades.
Mas outra pesquisa, realizada em âmbito nacional, mostra que apenas 14% dos americanos apóiam o naturismo.
"O turismo naturista não é para todo mundo. Simplesmente, a gente tem que poder escolher", disse Carolyn Hawkins.
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