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Juca Kfouri

Pelada em Santa Cruz

Por que raios a CBF assumiu uma responsabilidade (da tragédia em Oruro) que não teve a ver com ela?

A PELADA que você viu (viu?)

ontem em Santa Cruz de La Sierra, totalmente fora de hora e sem nenhum sentido formal, expôs, ao menos, um montão de verdades.

Uma delas diz respeito ao time da Bolívia com apenas onze jogadores. Sem o 12º, a altitude, a seleção local inexiste.

Daí o 4 a 0 piedoso, porque se os brasileiros jogassem com um mínimo de seriedade teriam vencido por uma contagem pornográfica.

O 3 a 0 do primeiro tempo, que poderia ter sido meia dúzia, acomodou a turma amarela no segundo.

A pelada foi tão pelada, num gramado criminoso para ser pisado por pés tão preciosos, que começou atrasada porque o ônibus da CBF simplesmente atolou no caminho do estádio.

Não, José Maria Marin não estava ao volante, mas apenas no comando do amistoso que teve a sua cara e embrulhou uma contradição: se o Corinthians não se conformou nem com a adequada punição esportiva pela morte em Oruro, por que raios a CBF, que não teve nada a ver com a tragédia, assumiu, ao propor indenização à família da vítima, uma espécie de responsabilidade civil pela tragédia?

Em 1985, quando a seleção brasileira jogou na mesma Santa Cruz pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 1986, Ricardo Teixeira pagou para a Federação Boliviana não fazer a partida na altitude de La Paz.

Agora o pagamento tem outro sentido, mesmo que a família de Kevin Espada dele não precise, como se o dinheiro a tudo resolvesse.

De resto, Ronaldinho se divertiu, Neymar foi mal e marcou duas vezes, Leandro Damião fez um gol e três faltas e o goleiro Matheus, o da medalha de Marin, não entrou, mas estava no banco para que todos se lembrassem do episódio, num ato falho (falho?) de Felipão.

PLATINI, NÃO

Ronaldo Fenômeno se enganou ao dizer à coluna passada que Franz Beckenbauer e Michel Platini, presidentes dos Comitês Organizadores Locais nas Copas da Alemanha, em 2006, e da França, em 1998, acumularam suas funções oficiais com as de comentaristas de TV, como ele fará. Apenas o alemão acumulou. O francês não.

PM, NÃO

Se a Polícia Militar mineira fosse tão fria e profissional como o Galo, que não caiu nas lamentáveis provocações de alguns jogadores do Arsenal, a goleada da última quarta-feira teria o espaço que merecia para ser devidamente comemorada em prosa e verso.

Mas o torneio chinfrim da Conmebol contamina a tudo e a todos, e revela defensores de uma ordem que as PMs, pelo país afora, trazem em seu DNA -o das ditaduras do Estado Novo e a de 64, que Aécio Neves, mineiro, chama de revolução...

É preciso tirar soldados de dentro dos gramados para que nunca mais apontem armas contra atletas, briguentos e cafajestes ou não.

Nossa fixação pela Libertadores também precisa acabar.

Para mudá-la.


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