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Juca Kfouri

Complexo de pastor-alemão

É melhor ser metido a superior, megalomaníaco, ou ser tímido e padecer de vira-latismo?

INVEJA DOS ALEMÃES. Vontade de ser como eles quando crescer só para jogar o futebol que jogaram na casa dos vizinhos de Londres, mais ou menos assim como se Boca Juniors e River Plate decidissem a Libertadores no Maracanã.

Jogar sem simular, jogar sem reclamar, jogar sem parar, jogar.

Verdade que só a metade dos 22 que entraram naquele gramado impecável nasceu na Alemanha, porque os demais 11 vieram da Polônia, do Brasil, da Áustria, Croácia, Bósnia, Espanha, República Tcheca, França e da Holanda.

Verdade também que os principais protagonistas do grande jogo que valeu o quinto título europeu ao Bayern de Munique, além dos goleiros germânicos, foram o francês Ribéry, o croata Mandzukic, autor do primeiro gol, e, é claro, de vilão a herói, o holandês Robben.

Quase que o extravagante pênalti cometido pelo nosso Dante faz dele um retrato cruel do futebol brasileiro, o que nem seria justo com o Corinthians nem com o Galo, os times nacionais que talvez possam encarar os bávaros, algo que depende agora apenas dos mineiros.

Para que ninguém acuse aqui algum sinal de complexo de vira-latas, fique claro que, ao contrário, trata-se de assumir que podemos nos comportar como pastores-alemães. Porque também os clubes brasileiros estão cheios de bons estrangeiros, embora quase só da América.

Neste Brasileirão, por exemplo, a dupla Gre-Nal tem Vargas e Barcos, D'Alessandro e Forlán, como o Corinthians tem Guerrero, o Botafogo, Seedorf, a exceção, e o Santos, Montillo. Paremos por aqui para pensar.

Por que raios estamos condenados a ficar invejosos do que vemos na Europa, se temos o sétimo PIB do mundo, atrás de países campeões mundiais de futebol como a Alemanha, França e Grã-Bretanha, mas na frente de Itália, e, consideravelmente, adiante de Espanha, Argentina e Uruguai?

Por que Real Madrid e Barcelona, da 15ª economia do mundo, são tão mais poderosos que clubes como Flamengo e Corinthians com muito mais torcedores?

Será porque todos os países que levam nossos craques como Neymar têm suas ligas de clubes para defender os interesses de seus campeonatos e por aqui ainda se permite que a CBF, que só pensa na seleção e em Copas do Mundo, dê as cartas?

Que peso tem em nossa miséria organizativa imaginarmos que só nós estamos no passo certo, com um calendário que marcha na contra-mão do Primeiro Mundo do futebol?

Se no século passado invejávamos menos até por não vermos tanto os europeus pela TV, neste, lembremos, vimos Corinthians, São Paulo e Inter baterem os invejados europeus em campo neutro, prova de que podemos.

Ao contrário do que se supõe, complexo de vira-latas têm os cartolas que se submetem ao arbítrio da CBF, não quem inveja o que dá certo.


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