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Juca Kfouri

Década vencida

Ao contrário do que muitos dizem, o Estatuto do Torcedor significa um avanço no futebol

NO DIA 15 último, o Estatuto do Torcedor completou dez anos.

Fruto da persistência e da inteligência do então "ministro do futebol", José Luiz Portella, significou um marco que produziu, entre outros avanços, o Campeonato Brasileiro em pontos corridos, dada a exigência de termos pelo menos um torneio anual que tenha a tabela completa previamente anunciada e por mérito, vedados os convites.

Lula teve a generosidade de assinar como primeira lei de seu governo um texto parido na gestão de Fernando Henrique Cardoso, o único, então, aprovado por unanimidade no Congresso Nacional.

No discurso na cerimônia de assinatura, sem nenhum cartola de peso, pois a cartolagem via a lei como contra ela a tal ponto que, depois, tentou ensaiar um locaute, Lula disse que nunca mais o torcedor brasileiro seria tratado como gado.

Infelizmente não foi assim que aconteceu, não por culpa do estatuto, mas da fiscalização preguiçosa, e dos seguidos estupros de que foi vítima pela ação da "bancada da bola" em sua regulamentação e pretensos aperfeiçoamentos.

No mesmo dia foi assinada a chamada Lei da Moralização, a que punia os cartolas com a perda de seu patrimônio caso incorressem em maus feitos na administração, outro texto que foi destroçado adiante.

Não são poucos os que, por isso, minimizam os efeitos de ambas as leis, esquecidos de que, apesar de tudo, sobraram aspectos bastante positivos, aqueles que deram, aos que não se acomodam, as ferramentas para exigir seus direitos na Justiça --e são incontáveis as vitórias dos que delas lançaram mão.

Portella, que não se caracteriza por ter pavio longo, ali muniu-se da paciência de Jó, a ponto de envolver todas as vozes significativas nos debates em torno do texto, em reuniões que conduziu com sabedoria e, é fato, mão de ferro.

Tivesse o ex-presidente, e os sucessivos ministros do Esporte que nomeou, a mesma firmeza, e mais benefícios estariam sendo colhidos, provavelmente com a drástica diminuição da violência e melhoria significativa na organização do esporte nacional.

Ao contrário, Lula se deixou seduzir pelas manobras dos cartolas e lhes deu benesses como a Timemania, uma loteria fadada ao fracasso como os sempre rotulados de fracassomaníacos anunciaram à exaustão.

Mas basta olhar o panorama de hoje, e compará-lo com o de uma década atrás, para perceber a limpeza por que passaram a CBF, a Federação Paulista de Futebol e muitos clubes que se livraram de seus coronéis, embora substituídos, em certos casos, por outros de igual quilate, porque a estrutura, mesmo abalada, permanece em pé.

Apesar de termos pressa, como há base legal para aprofundar as mudanças, é possível imaginar que daqui a dez anos tenhamos progredido mais e a limpeza tenha avançado.

Antes que maio acabe, o registro se impõe.


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