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Juca Kfouri

Dilma Rousseff precisa saber

A presidente não pode mesmo entender de tudo nem pode ser enganada pelos especialistas

SÃO TANTOS escândalos em todas as esferas do poder, no federal, nos estaduais e municipais, sob quaisquer e todos os partidos, no Legislativo e no Judiciário, que ou você se convence de que o ser humano é mesmo um projeto inviável ou de que os espertos enganam os ingênuos, os desonestos ludibriam os honestos.

Acreditemos na segunda hipótese para não nos desesperarmos e aceitemos como óbvio que ninguém sabe tudo, que o prefeito pode desconhecer como se libera uma obra, o governador não saber o que há por baixo do metrô e a presidente ignorar como se faz um atleta.

Em maio deste ano, o Profesp (Programa Segundo Tempo - Forças no Esporte), que reúne as três armas das Forças Armadas, coordenado pelo Ministério da Defesa, festejou ter recebido R$ 11 milhões, para intensificar sua presença em áreas de fronteiras por meio de atividades esportivas para menores.

Segundo disse à coluna o responsável pelo Profesp, o comandante José Ferreira de Barros, cerca de 14 mil crianças e adolescentes são hoje atendidos pelo programa em 53 municípios e a meta é ampliar para 15 mil ainda neste ano.

Estaria tudo muito bem não fossem dois detalhes: 1) Não se comprova o atendimento do programa ao número de crianças e adolescentes até 17 anos que diz atender. Mas, pior, muito pior: 2) Na cerimônia de liberação dos R$ 11 milhões (dos quais R$ 5 milhões são provenientes do Ministério do Esporte e o restante do Ministério do Desenvolvimento Social) foi dito à presidente Dilma Rousseff que um dos frutos do programa é o maratonista Paulo Roberto de Paula, oitavo colocado na Olimpíada de Londres e sétimo no Mundial de Atletismo em Moscou-2013. Ele teria se preparado em Garanhuns, onde nasceu o ex-presidente Lula e onde há um dos centros técnicos mais festejados da iniciativa.

São inúmeros os informes oficiais que dão conta desta proeza do CT da cidade pernambucana, e até um DVD que a relata foi entregue à presidente.

Ocorre que o atleta jamais treinou em Garanhuns antes da Olimpíada e do Mundial, embora seja orientado a dizer que treinou --e por um ano.

Mas há quem viva em torno do Profesp num padrão superior ao que seus salários justificariam.

É óbvio que a presidente não tem como saber se o maratonista treinou onde lhe disseram ou se foi em Campos de Jordão, local em que, de fato, se preparou no Brasil.

Daí ser conveniente que a presidente saiba, porque não serão "apenas" R$ 11 milhões, como se pretende aliviar os estimados quase R$ 4 bilhões de dívidas dos clubes, e federações, depois que estes devedores foram agraciados com o Refis 1, 2, 3 e a Timemania, também em vias de ter sua segunda edição. O projeto do deputado Jovair "Cachoeira" Arantes é mais um escândalo.


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