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Juca Kfouri

Mortes nas arenas

Com mais duas vítimas fatais, já são quatro os mortos nos estádios para a Copa do Mundo no Brasil

AS ARENAS começam a justificar o novo modo de nomear os estádios.

Como palcos de sangue de mais duas vítimas que agora se somam às duas nas arenas de Brasília e de Manaus, assim como a mais outras duas nas do Grêmio e do Palmeiras, não destinadas à Copa.

Mortes são mais comuns do que gostaríamos nas obras de grande porte. No caso da arena corintiana, põem por terra a satisfação de seus construtores que se orgulhavam até ontem por não haver registros nem de acidentes nem de greves em suas obras, ocorrências frequentes nas demais arenas para a Copa.

De fato, impressionava o ambiente alegre movido a churrascos aos sábados no campo alvinegro.

José Afonso de Oliveira Rodrigues, morto no Mané Garrincha, em junho do ano passado, Raimundo Nonato Lima, em abril deste ano no estádio de Amazonas, e Fábio Luiz Pereira e Ronaldo Oliveira dos Santos agora, são as vítimas fatais das obras nas 12 sedes espalhadas pelo país afora.

A hora se presta para demagogias as mais diversas, seja por parte dos responsáveis, seja por quem se solidariza com as vítimas.

Questões como o ritmo acelerado para cumprir os prazos se impõem, embora a tragédia em Itaquera tenha sido causada por uma operação idêntica à que havia sido feita na semana passada, do outro lado da construção e com estrutura menos pesada.

Talvez o guindaste alemão, o maior em operação no país, não tenha sido suficientemente calçado no último passo que faltava. Dois técnicos embarcaram ontem para o Brasil para investigar.

Nada mais corintiano.

O ano de 2013 que começou marcado pela morte em Oruro é desses para serem esquecidos na mais que centenária trajetória do Corinthians, o contraponto proporcional ao que foi a brilhante temporada de 2012, típico mesmo de quem sempre se diz sofredor.

Seja como for, Afonso, Raimundo, Fábio e Ronaldo não verão a Copa que ajudaram a fazer e suas famílias a viverão enlutadas, algo que não cabe no já famoso padrão Fifa.

Ou, ao menos, não deveria caber. Como estará o clima no Sauípe, para o sorteio do dia 6?

FIM DA ENCICLOPÉDIA

Morreu Nilton Santos, a Enciclopédia do Futebol.

A quarta-feira 27 de novembro marcará indelevelmente a história do futebol no Brasil. À dor da morte de dois trabalhadores da Copa se soma a do melhor lateral-esquerdo de todos os tempos, craque de apenas duas camisas, a alvinegra do Botafogo e a amarela da seleção.

No time da velha CBD, esteve em quatro Copas, como reserva na de 1950 e como titular nas três subsequentes, bicampeão em 1958/62.

Quem o viu botar pontas-direitas endiabrados no bolso e a jogar, ainda nos anos 50, como se fosse um ala, não o tirará da memória jamais.

Memória que Nilton Santos perdeu nos últimos de seus 88 anos de vida.


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