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Juca Kfouri

Rio-16: a crise é feia

Antes de o COI intervir na Olimpíada, saiu faísca numa reunião da Comissão de Coordenação dos Jogos

ANTES de o COI (Comitê Olímpico Internacional) intervir na organização da Olimpíada e nomear um xerife seu para botar ordem na casa, aconteceu, em março, uma tensa reunião da Comissão de Coordenação dos Jogos em território carioca.

Nela, o representante de Israel no Comitê Executivo do COI, o decano Alex Gilady, irritado pelas maravilhas que ouvia sobre o andamento das obras para a Copa do Mundo, mandou desligar seu microfone para não ser gravado e, depois de pedir que tudo ficasse dentro da sala, desancou a preparação da Olimpíada.

Começou por dizer que Copa do Mundo e Olimpíada são eventos incomparáveis e passou a demonstrar que nenhuma das promessas feitas por ocasião da escolha do Rio estava sendo cumprida. "Palavras ao vento", falou.

Fez críticas diretas ao ex-presidente Lula ao lembrar que a emoção demonstrada por ele quando da eleição da sede não se transformou em ação.

Sem rodeios, disse que estava convencido de que os brasileiros não cumpriam com suas palavras e que o COI não estava disposto a continuar sendo enganado.

Acrescentou ainda que as reuniões da coordenação tinham se transformado em intermináveis justificativas para o que não estava sendo feito, ao invés de apresentar realizações.

Tão logo ele acabou de se pronunciar, diante de um clima horroroso, o secretário-executivo do ministério do Esporte, Luís Fernandes, retrucou, também em tom indignado, segundo duas fontes presentes ao encontro.

Fernandes fez questão ser gravado e não aceitou o pito, muito menos as críticas a Lula e garantiu que não havia motivo para tamanha bronca.

Conciliador, o prefeito carioca, Eduardo Paes, tentou amenizar a atmosfera, ao dizer, como tem repetido, que é muito melhor trabalhar com o COI do que com a Fifa e que agradecia o acompanhamento tão de perto e até mesmo as pressões, mas que tudo sairá a contento.

Coincidência ou não, nos dias seguintes foi anunciado pelo COI, diplomaticamente, que o suíço Gilbert Felli, seu diretor-executivo, passaria a colaborar mais de perto com o comitê da Rio-16.

Não surpreende, portanto, a declaração do vice-presidente do COI, o australiano John Coates, ao classificar os preparativos para os Jogos Olímpicos de 2016 como os piores que já viu, até mesmo em relação aos de Atenas.

A situação crítica a que se referiu o dirigente é também o retrato da Copa do Mundo, a pouco mais de 40 dias de sua abertura, ao menos no estádio do jogo inaugural.

Não é difícil entender por que o COI está em estado de alerta.

Afinal, por mais que Olimpíada e Copa não se comparem, ao menos servem para que a segunda, à brasileira, advirta quem está acostumado a padrões suíços. Ou catalães...


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