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Juca Kfouri

Diga basta, torcedor!

Há um jeito de mudar o futebol dentro e fora de campo: ficando ausente dos estádios e desligando a TV

A TARDE estava ensolarada e a Vila repleta para rever Robinho.

O gramado parecia 100% e nada havia que pudesse atrapalhar o clássico Santos e Corinthians.

Mentira: havia os jogadores e os treinadores.

Os primeiros porque jogaram apenas 38% dos primeiros 45 minutos de jogo. Preferiram fazer faltas, discutir, se empurrar e quase não chutar a gol, exceção feita, diga-se, a Robinho.

Remanchavam até para fazer um simples arremesso lateral, sempre sob os olhares complacentes dos técnicos.

Como o Santos perdeu Alison, numa expulsão injusta decidida pelo árbitro tão ruim que levou um safanão de Petros e assimilou o golpe calado, para o segundo tempo havia mais espaço.

Nem assim o Corinthians se aproveitou a não ser depois que Ferrugem entrou em campo.

Até a entrada do volante que é também lateral direito, mesmo com um a menos o Santos era mais perigoso.

Mérito de Mano Menezes que fez a substituição?

Seria, se ele tiver uma boa explicação para ter Fagner como titular e escalar Guilherme Andrade para substitui-lo.

O gol da vitória corintiana só saiu depois da saída de Robinho e fruto de um escanteio provocado por potente chute de Ferrugem que Aranha desviou pela linha de fundo, na segunda intervenção do goleiro do Santos em todo o jogo, mesmo, lembre-se, com seu time com um a menos.

Daí, uma reflexão diante da miséria que assola nosso futebol: imagine o que acontecerá se o torcedor, pacificamente, qual Gandhi, deixar de ver os jogos? Resistência pacífica mesmo!

Estádios ainda mais vazios que o habitual, audiência em queda, patrocinadores que gastam milhões para expor suas marcas em desespero, o que acontecerá? Imagine!

Será que os cartolas se mexerão, pensarão em fazer um calendário que honre o nome, deixarão de endividar seus clubes?

E se nós deixarmos de exaltar contratações milionárias e passarmos a tratá-las como irresponsabilidades de quem não paga impostos, mas adoça a boca dos torcedores incautos?

Imagine, é fácil, apesar de ser imenso sonho, porque, é claro, hoje o corintiano acordou feliz e foi trabalhar ou estudar festejando que caiu a invencibilidade de Robinho contra o Corinthians, mesmo que ele já não estivesse mais em campo quando Gil cabeceou para fazer o 1 a 0 da "goleada manocrática".

Seria esta uma proposta suicida, tiro no próprio pé?

Imediatamente sim, mas quem vive da mão para a boca não faz jornalismo, faz propaganda, até trabalha de graça aqui ou ali desde que possa trazer sua clientela, cada vez mais ressabiada com os resultados que o futebol proporciona.

Resultados como o 7 a 1...

Você já imaginou quantas campanhas estaria vendo caso o hexacampeonato viesse?

Os que raspam o tacho, matam a galinha dos ovos de ouro, não estão nem aí.


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