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Juca Kfouri

Todo-poderoso Timão

O céu pode ser o limite se a direção do Corinthians não deixar de olhar para o chão

O DATAFOLHA mostrou como cresce a torcida alvinegra e mostrou também, em relação aos seus rivais paulistas, que é maioria em todas as faixas sociais, beirando ou superando o dobro em relação a eles tanto no extrato mais pobre quanto no mais rico, para alegria do seu marketing.

O time do povo é também o da elite, o que não chega a ser novidade. Basta lembrar de que houve um momento em São Paulo, nos anos 80, em que o Estado tinha como governador Franco Montoro, como cardeal Dom Paulo Evaristo Arns e o mais rico dos empresários, Antônio Ermírio de Moraes, todos corintianos. E a massa, que apoiava a Democracia Corinthiana.

De lá para cá o Corinthians teve altos e baixos, mais altos que baixos, embora quase todos esses picos e vales à custa de parcerias e não, como agora, pelas próprias pernas -sem esquecer do formidável empurrão dado por Lula. Méritos há em Andres Sanchez, que não buscou a reeleição, que bancou Tite quando ninguém bancaria e que escolheu e respeitou gente capaz para fazer o que ele não saberia.

Como sobram méritos ao atual presidente Mário Gobbi que, mais discreto e conciliador, prefere trabalhar à sombra.

Se do fim do jejum de 23 anos para cá o time foi bicampeão mundial, campeão da Libertadores, penta brasileiro, tri da Copa do Brasil, campeão do Rio-São Paulo e dez vezes campeão estadual, além do título que, hoje, parece mentira, o da Série B, muito se deve ao fiel torcedor, capaz de qualquer sacrifício para mostrar seu amor e solidariedade desde que correspondido em igual medida pelo suor de seus representantes, nas vitórias ou derrotas. E isso não pode ser deixado de lado como aconteceu anteontem na cidade, na recepção aos campeões mundiais. Os que nunca abandonam se sentiram abandonados.

A marca corintiana, seu DNA, é ser maloqueiro e sofredor, graças a Deus! Apesar de diminuir o número de maloqueiros no país; apesar de os sofredores serem cada vez mais vencedores e apesar de aumentar o número de ateus.

Daí ser preciso abrir os olhos, não permitir que a sonhada casa corintiana seja tão fria que expulse os excluídos, como a especulação imobiliária em Itaquera já faz com moradores da região. Que ali seja um estádio, não um estúdio ou uma "arena", até porque arena é relativa à areia, e futebol se joga na grama.

Cada clube tem sua mística, sua célula-máter. A do São Paulo é ser pó de arroz, o que não é mais faz tempo, mas permanece como imagem. Assim como o Palmeiras há muito não é um clube de colônia, mas continua sendo italiano. E o Santos é aquele em que a técnica manda e os raios da genialidade caem duas vezes, de Pelé a Neymar.

O Corinthians é do povo e, mais que ser campeão, esta é a sua graça. Até o Japão sabe disso.


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