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Bluesman 'durão', Mayall promete shows vigorosos

Músico inglês de 79 anos se apresenta hoje com Buddy Guy e Taj Mahal; amanhã, toca com Cornell e Shemekia

Atração no festival Best of Blues, em São Paulo, John Mayall afirma que vai continuar dando tudo de si no palco

CARLOS MESSIAS COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

O vocalista, tecladista, gaitista e guitarrista inglês John Mayall sobe ao palco do festival Best of Blues na segunda e na terceira noite do evento. Hoje, ele divide o ótimo line-up com Buddy Guy e Taj Mahal; amanhã, integra uma escalação menos ortodoxa com o roqueiro Chris Cornell (Soundgarden, Audioslave) em formato acústico e com a cantora Shemekia Copeland (filha do lendário Johnny Copeland).

Há 57 anos na ativa, o fundador do grupo John Mayall & the Bluesbreakers incorpora a mítica do bluesman ríspido e duro na queda. Seu mais recente disco solo, de 2009, é chamado "Tough" ("durão", em inglês) e, em cima do palco, onde permanece em pé durante todo o show, o músico faz jus ao título.

Portanto, não espere por um daqueles shows saudosistas e cheios de blá-blá-blá, como, por exemplo, os últimos de B.B. King no Brasil. "Vou continuar subindo ao palco e dando tudo de mim enquanto estiver fisicamente apto para isso", diz Mayall, 79, à Folha.

Seus shows mais recentes, com trechos no YouTube, revelam um músico vigoroso e adepto do improviso, repassando clássicos de sua carreira, standards de blues e até hinos do rock. A passagem do tempo beneficiou a sua voz, cada vez mais grave e rouca.

Já passaram pelo Bluesbreakers músicos como Eric Clapton e Jack Bruce (que depois fundariam o Cream), Mick Taylor (que integraria os Rolling Stones), Peter Green e Mick Fleetwood (que formariam o Fleetwood Mac) e outros.

O álbum "Bluesbreakers with Eric Clapton" (1966) até hoje é considerado um dos mais influentes do gênero. Por essas e outras, John Mayall é creditado como um dos fundadores do blues britânico. Um título que rejeita. "Isso é bobagem. Não existe blues britânico, existe blues, seja ele feito na Inglaterra, nos Estados Unidos ou no Camboja", rebate.

Ainda assim, a banda teve um papel fundamental em consolidar o estilo no país europeu. Os discos "A Hard Road" (1967) e "Bare Wires" (1968) ficaram, respectivamente, na oitava e na terceira posição das paradas britânicas.

Em 2009, após quase 20 anos, Mayall voltou a batizar sua banda como Bluesbreakers e a formação atual conta com o baixista americano Greg Rzab, que já acompanhou Otis Rush e Buddy Guy.

Atualmente, Mayall mostra que é osso duro de roer no palco e fora dele. Nem a crise da indústria ou a desvalorização do blues são páreo para a sua produção fonográfica.

Além dos discos solo, que vem lançando com alguma regularidade por selos independentes como o Eagle Records, o músico criou em 2000 a série "Private Stash" (acervo pessoal, em inglês), que comercializa registros de shows históricos e material inédito por meio do seu site.

"O blues pode não ser mais popular, mas vai sempre existir. Pelo menos enquanto as pessoas ainda sentirem alguma coisa", diz Mayall.


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