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Folhateen

Novos clássicos

A gelada Campos do Jordão abriga 39 adolescentes entre bolsistas no Festival de Inverno, a 'Disneylândia' da música erudita

CESAR SOTO ENVIADO ESPECIAL A CAMPOS DO JORDÃO

São adolescentes que adoram música. Muitos nasceram em lares musicais, de pais que tocam alguma coisa.

Gostam do som das cordas --dos violinos, não das guitarras. Gostam de metal --de instrumentos como trombones e tubas, não do heavy metal.

Entre os 144 bolsistas selecionados pela Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo) no Festival de Inverno de Campos do Jordão, 39 têm entre 14 e 19 anos.

Mesmo formando a fatia mais jovem da turma --as inscrições estavam abertas a quem tem de 14 a 30 anos--, alguns conseguiram papel de destaque no festival.

Thierry de Lucas Neves, 17, foi escolhido como o principal violinista --o spalla, como é chamada a posição-- da orquestra formada pelos bolsistas. Para isso, superou candidatos nove anos mais velhos e até alunos indicados pela Juilliard School, conceituada escola de Nova York.

Seu pai, bombeiro, toca trompa na Sinfônica do Corpo dos Bombeiros de Goiás e é corista da Orquestra Sinfônica de Goiânia. Sua mãe, pedagoga, canta em eventos.

"Quando eu tinha seis anos, vi meus primos tocando violino e queria saber como saía som daquilo ali."

Atualmente na 2ª série do ensino médio e participante de um curso de extensão de violino na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Neves pratica de quatro a cinco horas diárias. "Hoje vivo mais para estudar, mesmo."

Ídolos? Bach e Villa-Lobos. O primeiro, vale dizer, é o favorito entre os músicos entrevistados pelo "Folhateen".

Mas Neves acha tempo para um gênero fora da música erudita. "Gosto muito de sertanejo", fala, em tom de confissão. "Se perguntar para qualquer um aqui, duvido que alguém mais vá gostar."

Luisina Rábago, 17, argentina, também toca violino. O pai é professor de violão e a mãe é pianista.

Praticando cerca de quatro horas por dia, Luisina conta que pode ser difícil manter a relação com amigos que não tocam instrumentos. "Às vezes eles me falam que eu fico muito na música, mas estou tentando mudar isso."

DIRETO GOIÂNIA

O festival premia alguns participantes. Foi o que aconteceu com Natanael Ferreira dos Santos, 18, que ganhou bolsa no ano passado para se tornar academista da Osesp.

Com a ajuda da orquestra, ele deixou a família em Goiânia e agora mora em São Paulo e dedica cerca de seis horas por dia à prática. "Dá tempo de sair à noite, de vez em quando, mas eu sempre fico pensando no dia seguinte."

Durante três semanas, os 144 músicos ficam em Campos do Jordão com hotel, alimentação e transporte pagos.

Pela manhã eles ensaiam e, à tarde, vão às aulas no Castelo de Campos, com dezenas de quartos e decorado com pinturas e armaduras.

Lá convivem a turma das cordas e a galera dos metais. São as "tribos" do erudito.


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