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Usina da Cesp gera menos do que deveria

TCU pede investigação e diz que estatal paulista fez "investimento antieconômico"; perda pode chegar a R$ 2,8 bi

Desde a inauguração, em 1999, hidrelétrica desperdiça parte da estrutura e opera abaixo da capacidade

AGNALDO BRITO DE SÃO PAULO

A hidrelétrica Porto Primavera, uma das principais usinas da região Sudeste, produz menos energia do que a capacidade para a qual foi construída.

Desde a inauguração, em fevereiro de 1999, a hidrelétrica --localizada no rio Paraná, entre São Paulo e Mato Grosso do Sul-- tem desperdiçado parte da estrutura erguida em mais de 20 anos de obra. Idealizado em 1975, o projeto foi entregue ao governo paulista em 1979 e deveria ter ficado pronto em 1985.

Se operasse no limite da capacidade, Porto Primavera ajudaria o país a reduzir o uso da geração termelétrica, mais cara e poluente. As térmicas são a única opção do país para suprir a falta de potência instalada para atender os consumidores no horário de pico, das 18h às 21h.

A subutilização do patrimônio levou o TCU (Tribunal de Contas da União) a acusar formalmente a Cesp de ter realizado "investimento antieconômico" sob a leniência da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).

O órgão protocolou uma representação no TCE (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo) pedindo uma investigação para o caso.

O Tribunal paulista confirmou à Folha que irá investigar "in loco" a denúncia, mas não estipulou prazo.

CUSTO

Levantamento do Sindicato dos Engenheiros de São Paulo diz que o Estado gastou R$ 2,8 bilhões a mais num projeto não utilizado. Esse valor representa cerca de 20% do custo total do projeto, de R$ 14 bilhões.

A origem desse desperdício se efetivou em 1995, quando a Cesp decidiu concluir a construção e operar a usina com o reservatório em um nível inferior ao que previa o projeto original.

A usina foi construída para ter o lago na cota 259 metros em relação ao nível do mar, mas a usina chegou apenas a 257 metros.

Se fosse dimensionada para o atual nível de operação, a usina não precisaria ter uma barragem de 11,3 quilômetros de extensão (a maior entre as hidrelétricas brasileiras), a previsão para 18 turbinas (4 não usadas) e a desapropriação de mais de 200 quilômetros quadrados de área hoje ociosa.

Segundo o decreto 41.019, de 1957, nenhuma concessão pode ter as configurações alteradas pela empresa responsável pelo empreendimento.

A operação da usina numa cota inferior, de acordo com o TCU, converteu a hidrelétrica de Porto Primavera numa usina "fio d'água", quando o reservatório não tem capacidade de acumulação de água para uso nos períodos secos.

Esse é hoje um dos problemas enfrentados pelo setor elétrico brasileiro.


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