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Análise

Rombo, que já preocupa no curto prazo, vai piorar mais

RENATO FOLLADOR ESPECIAL PARA A FOLHA

O deficit do INSS ficou em R$ 6,2 bilhões em abril, mas o acumulado no ano soma R$ 21 bilhões, 28,1% a mais em relação ao mesmo período do ano passado.

Mantida a tendência, é provável que ultrapasse R$ 54 bilhões neste ano, superando em 30% o do ano passado.

Números alarmantes no curto prazo, a situação piora no longo prazo.

Esse deficit, hoje, não chega a 0,5% do PIB, mas vai atingir 5,6% em 2050. Dez vezes mais.

Culpa principal de dois fatores demográficos: a taxa de natalidade e o aumento da longevidade.

A taxa de natalidade, que, na década de 60, era de seis filhos por brasileira, hoje é de 1,7; padrão europeu. Na outra ponta, a participação dos idosos subirá de 11% hoje para 30% em 2050.

Quadro impactante para a receita do INSS, chegamos ao "x" da questão: para cada idoso com mais de 60 anos, há seis pessoas hoje em idade produtiva --entre 16 e 59 anos. Em 2050, essa mesma proporção cairá para somente 1,9.

Relembrando o financiamento da Previdência Social, os trabalhadores contribuem para pagar, no mesmo mês, os aposentados. A relação ativos/inativos é fundamental.

Resultado: com essa evolução demográfica e essa forma de financiamento, chamada de repartição simples, diminuirá a receita, aumentará a despesa e explodirá o deficit.

Cabe, então, a pergunta: qual a solução? Aumentar a idade mínima de aposentadoria, para lá dos 70 anos, é impopular e só posterga a explosão.

Parece-me melhor a alternativa de se iniciar um amplo programa de educação financeira e previdenciária para conscientizar o trabalhador da importância de formar uma poupança na previdência privada para complementar o INSS, que será de só uns três salários a médio prazo, se mantida a atual a política de reajuste do salário mínimo.

Vou além: seguindo exemplos do Reino Unido e do Canadá, deve-se pensar em adotar previdência privada complementar obrigatória, já que poupança previdenciária não se faz do dia para a noite.

Quando o assunto é previdência, a tendência é "deixar como está", "com o governo" ou "pensar nisso depois".

Logo, a previdência privada obrigatória seria uma forma de proteger o trabalhador dele mesmo, de sua falta de visão estratégica de longo prazo.


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