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Eleição aponta nomes para suceder Cristina

Dissidente Sergio Massa e opositor Julio Cobos despontam na Argentina; pelo governo, Daniel Scioli é nome mais forte

Não se sabe que força a presidente terá para impor um nome, dizem analistas; oposicionista evita falar sobre 2015

LÍGIA MESQUITA DE BUENOS AIRES

A eleição legislativa de anteontem na Argentina, que renovou metade da Câmara e um terço do Senado, deu início à corrida presidencial de 2015. Dos resultados das urnas, que mostraram derrota do governo Cristina Kirchner nos principais distritos do país, estão saindo os primeiros nomes de presidenciáveis.

O principal deles é Sergio Massa, da Frente Renovadora. O peronista dissidente, ex-chefe de gabinete de Cristina, derrotou o candidato do governo no maior colégio eleitoral do país, a província de Buenos Aires --teve 43,92% dos votos, ante 32,18% de Martín Insaurralde, da aliança FpV (Frente para a Vitória).

Ontem, Massa evitou dizer se será candidato à Presidência. "Acho uma falta de respeito [com meus eleitores] pensar em 2015", disse.

Quem já começa a pensar nesse futuro próximo é o kirchnerismo. A dois anos do pleito, os governistas precisam decidir quem será o candidato à sucessão de Cristina.

"A Argentina tem de se preparar para a primeira eleição sem o sobrenome Kirchner depois de 12 anos", afirma à *Folha Roberto Bacman, do Centro de Estudos de Opinião Pública, de Buenos Aires.

Com o mau desempenho eleitoral da FpV, não se sabe a força que a mandatária terá para conseguir impor o nome de um sucessor. Ela poderá tentar a candidatura de alguém do núcleo duro do kirchnerismo e romper com a força aliada do PJ (Partido Justicialista), o que causaria uma perda grande de votos, ou se alinhar com o partido para a disputa de internas.

Caso escolha a segunda opção, o pré-candidato mais cotado é Daniel Scioli, governador de Buenos Aires e ex-vice-presidente do país.

Presidente do PJ, ele tem grande aceitação por ser um político moderado dentro do governo, mas saiu derrotado dessas eleições na província que governa, já que não conseguiu reverter o jogo para o candidato oficialista.

Outro nome que já está sendo ventilado como o eleito de Cristina é o do governador de Entre Rios, Sergio Urribarri. Foi na província dele a única vitória do kirchnerismo entre os cinco maiores colégios eleitorais do país.

"Mas o kirchnerismo não acaba. Cristina ainda pode ter força dentro do partido e eleger um sucessor, assim como Lula fez no Brasil. O PT não acabou com a saída de Lula da Presidência", diz Bacman.

Para o analista político Vicente Palermo, todas as opções que a presidente argentina terá serão um problema.

"Caso ela se abstenha da decisão do sucessor, será ruim porque ela deixará todos com liberdade de ação. Se ela escolher uma candidatura como a de Scioli, que é forte e não é um kirchnerista, seu poder também escorrerá pelas mãos. Se escolher um kirchnerista de seu núcleo duro, corre o risco de ter muito pouco voto", avalia ele.

OUTROS NOMES

Outros que se cacifaram na eleição como pré-candidatos foram o ex-vice-presidente Julio Cobos, da UCR (União Cívica Radical), e o ex-governador de Santa Fé Hermes Binner, da Frente Progressista Cívica e Social. Os dois foram vitoriosos com ampla vantagem em Mendoza e Santa Fé, respectivamente.

O único político que se declarou oficialmente no páreo em 2015 foi o prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri. Sua legenda, o PRO (Proposta Republicana), foi a campeã de votos para o Senado e a Câmara na Capital Federal.

Mesmo com a derrota verificada anteontem nos principais distritos, a presidente continua tendo maioria (não absoluta) no Congresso, o que lhe dá garantia de governabilidade durante seus dois últimos anos de mandato.


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