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Clóvis Rossi

O furacão resgata o Estado

O poder público é único, quando funciona, para defender a sociedade na hora das tragédias

Os "Estadofóbicos" e os céticos a respeito da mudança climática deveriam ter segundos pensamentos a partir da passagem do furacão Sandy.

Comecemos pelo papel do Estado. Foi relevante para evitar uma tragédia ainda maior, como lembra Edward Alden, em seu blog encravado no sítio do Council on Foreign Relations.

Alden lista meia dúzia de iniciativas tomadas pelo poder público que reduziram os estragos e a perda de vidas.

Começa pelo fato de que "a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, do Departamento de Comércio, que é responsável por seguir a rota de furacões e outras tempestades, previu com dias de antecedência -e com absoluta acuidade- tanto a rota como a força do Sandy. Isso deu aos governos em toda a região tempo para planejar uma resposta".

Eis algo que só os recursos públicos podem custear devidamente, por mais que todos reclamemos dos impostos pagos para que o governo possa funcionar.

No Brasil, a reclamação torna-se pertinente, na medida em que a capacidade de prever tragédias climáticas parece diminuta, de que dão prova os desastres anuais provocados por fenômenos atmosféricos menos imponentes do que o Sandy.

Não é a única comparação possível. O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, ordenou a retirada de quase 400 mil pessoas das zonas mais baixas da cidade, além de ter criado abrigos de emergência. "Provavelmente salvou incontáveis vidas, dado o pesado alagamento na Baixa Manhattan", escreve Alden.

O governador Andrew Cuomo paralisou metrô, trens e ônibus. Com isso, apesar de o furacão ter provocado os piores problemas em cem anos de história do metrô, "ninguém ficou ferido nas estações vazias".

No Brasil, ou porque não há previsões de tanta acuidade ou porque as autoridades são historicamente lerdas ao reagir, só há providências depois das tragédias.

O problema não está, portanto, no Estado em si, mas na maneira como ele funciona. Claro que o poder público não pode ser um cabide de empregos nem atuar como empresário, fabricando aço, gerindo hotéis ou controlando companhias aéreas. Essa parte o setor privado faz melhor.

Mas ações como as citadas "representam um sucesso nascido de planejamento e ação coordenada para melhorar o resultado para grande número de pessoas -exatamente o que governos podem e deveriam estar fazendo".

Vale para os Estados Unidos, vale para o Brasil, em especial para os prefeitos recém-eleitos.

Passemos à questão da mudança climática. Admito, como diz editorial de ontem desta Folha, que "há muita controvérsia, ainda, sobre a influência do aquecimento global na propagação desses eventos extremos -inconclusiva, até o momento".

Ok. Mas o simples fato de que os danos ao metrô de Nova York e a obrigatoriedade de fechar a Bolsa por dois dias foram fenômenos que não ocorriam havia pelo menos um século recomenda "encarar [o clima] sob o signo da precaução", sempre de acordo com o editorial.

Ou, para ser bem original, controvérsias à parte, é sempre melhor prevenir do que remediar.

crossi@uol.com.br


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