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Em vídeo, grupo de músicos diz: 'Não somos censores'

Na internet, Roberto e Erasmo Carlos e Gilberto Gil recuam em relação a biografias; Caetano não participa

Roberto diz que desejo de proteger intimidade os levou num momento a 'assumir uma posição mais radical'

DE SÃO PAULO

Os músicos Gilberto Gil, Roberto Carlos e Erasmo Carlos, integrantes do Procure Saber, divulgaram vídeo ontem na internet para mostrar sua posição sobre biografias não autorizadas.

Antes, por meio da empresária Paula Lavigne, o grupo defendera autorização prévia para a publicação dessas histórias, além de porcentagem do faturamento das obras para biografados ou herdeiros.

Agora, após a repercussão do caso levantado pela Folha, os discursos exibidos no portal YouTube mostram um recuo: "Não somos censores. Nós estamos onde sempre estivemos. Pregando a liberdade, o direito às ideias, o direito de sermos cidadãos que têm uma vida comum, que têm família e que sofrem e que amam", diz Roberto Carlos no vídeo de quatro minutos e 45 segundos.

"Nunca quisemos exercer qualquer censura, ao contrário. O exercício do direito à intimidade é um fortalecimento do direito coletivo", diz Gil.

A peça alterna declarações de Gil, Erasmo e Roberto lidas num teleprompter (aparelho que permite ler um texto olhando para frente).

Leia outros trechos do vídeo divulgado ontem.

Roberto: "Passamos a vida inteira a falar de amor e do amor. E nem por isso nos tornamos expert no assunto".

Erasmo: "Falamos com sinceridade e emoção. Tentando ser simples e tentando representar, com alguma leveza, a alma das pessoas e dos que nos acompanham ao longo do tempo".

Gil: "Quando nos sentimos invadidos, julgamos que temos o direito de nos preservar e de certa forma preservar a todos os que de alguma maneira não têm como nós o acesso à mídia, ao Judiciário, aos formadores de opinião".

Roberto: "Julgamos ter o direito de saber o que de privado existe em cada um de nós nas nossas vidas".

Erasmo: "Este é um ponto que não podemos delegar a ninguém. Decidir o que nos toca a cada qual, intimamente. Decidir o que nos constrange e nos emociona".

Erasmo: "Se nos sentirmos ultrajados, temos o dever de buscar nossos direitos. Sem censura prévia, sem a necessidade de que se autorize por escrito quem quer falar de quem quer que seja".

Roberto: "Não negamos que esta vontade de evitar a exposição da intimidade, da nossa dor, da dor dos que nos são caros, num dado momento nos tem levado a assumir uma posição mais radical".

Gil: "Mas a reflexão sobre os direitos coletivos e a necessidade de preservá-los, não só o direito à intimidade, à privacidade, mas também o direito à informação nos leva a considerar que deve haver um ponto de equilíbrio entre eles".

Erasmo: "Queremos e não abro mão do direito à privacidade e à intimidade, a nossa e a dos que podem sofrer por estarem ligados a nós".

Gil: "Mas também queremos afastar toda e qualquer hipótese de censura prévia. Queremos sim garantias contra os ataques, os excessos, as mentiras, os insultos, os aproveitadores".

Hoje, a necessidade de autorização prévia para biografias é contestada por ação que corre no Supremo Tribunal Federal e por um projeto de lei que tramita na Câmara.


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