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Caso Riocentro

Militares tentaram simular furto, mostram anotações

DE SÃO PAULO - Anotações do arquivo do coronel Júlio Miguel Molinas Dias, que chefiou o DOI-Codi, um dos órgãos da repressão no regime militar, mostram que militares tentaram simular o furto do veículo do sargento que morreu no atentado do Riocentro, em 1981.

A informação é do jornal "Zero Hora", que teve acesso aos documentos.

"Foi feito contato com a secretaria de segurança para localizar o carro do Wagner [codinome do sargento] e comunicar ao DOI [carro roubado]. Existe uma equipe de sobreaviso para 'puxar' [levar] o carro", diz a anotação, em letra diferente da do coronel.

O objetivo seria evitar que algum material comprometedor fosse encontrado dentro do veículo do sargento Guilherme Pereira do Rosário. Ele morreu após uma bomba explodir acidentalmente em um carro durante show do 1º de Maio.

Os documentos mostram outras iniciativas dos militares para dar a impressão de que a ação havia sido feita por grupos de esquerda. Segundo o arquivo, eles agiram para divulgar fotos de pichações de placas de trânsito perto do Riocentro com o símbolo da organização de esquerda Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Ex-integrantes do regime revelaram que agentes do DOI-Codi fizeram as inscrições.


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