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26/09/2010 - 09h40

Estudante fica 5 meses sem aula no morro do Bumba, no Rio

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FÁBIO GRELLET
DO RIO

Quando ela, o marido e as três filhas escaparam ilesos do desabamento do morro do Bumba, em Niterói (região metropolitana do Rio), em abril, Roberta Fernandes, 24, respirou aliviada.

Quase seis meses depois, a vida não voltou ao normal. Roberta não perdeu a casa, como muitos vizinhos, mas o fechamento da escola municipal Sebastiana Gonçalves Pinho, interditada desde o desabamento, fez a rotina da família desmoronar.

As três filhas de Roberta estavam entre os 297 alunos da unidade-que oferece vagas de ensino infantil e fundamental até o 5º ano.

Roberta deixou o emprego, de doméstica, para cuidar das duas filhas menores -Yasmin, 3, e Milena, 4.

A mais velha, Eduarda, 9, só conseguiu vaga em uma escola de outro bairro. Teve que se mudar para a casa da avó, para ficar mais perto daquela unidade, onde cursa o 2º ano do ensino fundamental. As duas mais novas foram para outra escola.

"Mas fica muito longe e eu gasto um tempão para levá-las e buscá-las, a pé. Por isso ainda não pude voltar a trabalhar", afirma Roberta.

No caminho, elas e as filhas passam pelos destroços do morro do Bumba.

Com um terço da renda familiar perdida -o marido ganha dois salários mínimos, ela ganhava um-, a família não consegue mais pagar as contas. O telefone foi cortado há duas semanas. "Ou a gente compra comida ou paga as outras despesas", diz.

A escola onde suas filhas estudavam só reabriu, em outro prédio, em 8 de setembro, após cinco meses sem aulas. Segundo a Secretaria da Educação de Niterói, a demora foi resultado dos trâmites para compra e à necessidade de reformas no imóvel.

PERÍODO INTEGRAL

Para o ano letivo não ser perdido, as aulas são em horário integral e aos sábados. Como o novo prédio é distante do antigo, às 7h30, um ônibus espera as crianças na porta da antiga escola. Leva o grupo e traz de volta às 17h.

"Meu filho estava começando a ser alfabetizado e passou cinco meses fora da escola. Não vai perder o ano letivo, porque é esforçado, mas poderia ter aprendido muito mais se a escola não ficasse tanto tempo fechada", diz Josenil Moraes, 39.

Ele foi demitido dias antes da interdição da escola. "Como eu estava em casa, pude cuidar do Hugo [Moraes, 7] sem mudar minha rotina, mas se estivesse empregado teria problemas", diz ele.

O outro filho de Moraes, Hudson, 8, cursa o 2º ano do ensino fundamental e esperou dois meses até conseguir vaga em outra escola.

Mesmo com dificuldade financeira, os pais procuraram escolas particulares. O colégio Anchieta, perto do morro do Bumba, reduziu a mensalidade para atender alunos de famílias carentes.

"Uma senhora veio à escola e contou que não poderia pagar a mensalidade integral, mas queria que o neto [Kauã Menezes, 5] continuasse estudando. Então reduzimos a mensalidade de R$ 318 para R$ 160 e ele está conosco desde maio, cursando a educação infantil", diz a diretora pedagógica do Anchieta, Márcia Barbosa, 50.

A Secretaria da Educação contabiliza 127 alunos como transferidos de escola, mas vários desistiram de estudar, segundo familiares.

A dona de casa Michele de Oliveira, 24, conta o que aconteceu com sua prima que perdeu a casa e foi obrigada a mudar de bairro. "A filha dela tem seis anos e não conseguiu vaga em outra escola, então desistiu."

"Agora, as irmãs, de 16 e 17 anos, cuidam da menina enquanto a mãe vai trabalhar."

 

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