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Professores do RS fazem 'domingo de greve' contra tarefa on-line
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FELIPE BÄCHTOLD
DE PORTO ALEGRE
Cansados de responder a e-mails e de se envolver com trabalho nas horas que deveriam ser de lazer, professores da rede privada do Rio Grande do Sul farão um "domingo de greve" amanhã.
Eles se reunirão para uma roda de chimarrão em um parque de Porto Alegre e deixarão totalmente de lado o trabalho que costumam fazer nos dias de descanso, como preparar aulas e atender a alunos pela internet.
Como as novas tecnologias aumentaram a disponibilidade dos professores a alunos, pais e direção da escola, eles reclamam de manter, sem pagamento extra, blogs e sites ou de colocar o conteúdo das disciplinas na internet.
Segundo o Sindicato dos Professores do Ensino Privado do Estado, isso pode até dobrar as horas dedicadas à escola, gerando mais casos de afastamento por doenças e estresse. Até o Ministério Público do Trabalho recebeu reclamação sobre o assunto.
A professora de química Margot Andras, 50, que atua em duas escolas de Porto Alegre, diz que vem dando menos aulas nos últimos anos para dar conta do trabalho extraclasse. "A família cobra, pergunta quando vai ter um fim de semana para eles. Não tenho mais lazer", diz.
Para Margot, a situação chegou a esse ponto porque a atual geração de alunos não tem mais "tempo de espera". "Eles estão sempre na frente do computador", afirma.
O Sindicato das Escolas do Rio Grande do Sul diz que orienta as instituições a remunerar os professores por atividades como responder a e-mails ou escrever em blogs.
O presidente da entidade, Osvino Toillier, diz que a tecnologia facilitou a rotina dos docentes e que, se existem colégios que cobram trabalho on-line, "é muito pontual". Para ele, a mobilização é uma "manobra política".
O economista Marcos Formiga, professor da Universidade de Brasília, enxerga um atrito entre estudantes que têm grande intimidade com novas tecnologias e professores resistentes ao uso de novos meios de comunicação.
Para ele, isso vai desaparecer com a nova geração de profissionais. "É irreversível. Não haverá mais educação sem o uso de tecnologias mediadoras do conhecimento."
Colaborou LUIZA BANDEIRA, de São Paulo
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