Após recuo da PM, Força Nacional apoiará fiscalização ambiental no Pará

Agentes do Instituto Chico Mendes sofreram emboscada e PM do Pará retirou apoio alegando falta de segurança

Fabiano Maisonnave
Manaus

Após a PM do Pará ter retirado o apoio à fiscalização do ICMBio, o governo federal enviará homens da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) à região da BR-163, no sudoeste do estado.

“Nossas ações vão continuar, serão intensificadas onde for necessário, mas não iremos nos intimidar de forma alguma”, disse o ministro do Meio Ambiente, Edson Duarte nesta quarta-feira (24), durante entrevista coletiva em Brasília.

A portaria será publicada nesta quinta-feira (25) e tem validade de 180 dias. Ainda não há previsão para a chegada dos policiais da FNS à região, mas Duarte assegurou que isso será feito o mais breve possível, tanto para proteger os agentes do ICMBio como para manter a fiscalização.

“A ação de desmatamento é muito rápida”, disse o ministro. “Um atraso de alguns dias [na fiscalização] significa um prejuízo ambiental gigantesco.”

Conforme a Folha revelou no domingo, agentes do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) sofreram uma emboscada perto da localidade de Bela Vista do Caracol, às margens da BR-163, na última sexta-feira (19). 

Moradores colocaram fogo e atiraram para o alto para impedir a passagem e intimidar uma equipe do ICMBio que voltava de uma fiscalização na Floresta Nacional (Flona) Itaituba 2. Ali, averiguaram um desmatamento detectado por satélite e destruíram toras derrubadas ilegalmente.

Os agentes só conseguiram sair da região após serem escolados pela PM. Na segunda-feira (22), porém, o Comando Geral anunciou que deixaria de apoiar o ICMBio, alegando falta de segurança.

Houve quatro ataques contra agentes do ICMBio e do Ibama nas últimas semanas na Amazônia. No mais recente, ocorrido no sábado (20), três veículos do Ibama foram incendiados em Buritis (RO).

A animosidade contra os órgãos ambientais federais é antiga na Amazônia e costuma piorar durante o período eleitoral, mas servidores afirmam que as constantes críticas do candidato Jair Bolsonaro (PSL) contra a fiscalização têm aumentado a tensão.

Em entrevista ao Estado de S.Paulo publicada em 5 de outubro, Duarte disse que as declarações de Bolsonaro, que lidera as pesquisas de opinião, estimularão o desmatamento ilegal.

"Eu temo uma espécie de corrida ao ouro para ver quem chega primeiro. Sabendo que, se ocupar ilegalmente, terá nas autoridades a complacência e a concordância e a certeza de que ninguém os incomodará”, afirmou. 

 

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