Greve do clima em SP tem partidos e gritos de 'fora, Bolsonaro' e 'viva a Amazônia'

Manifestantes pedem mais transporte público, ciclovias e um consumo mais consciente

Matheus Moreira
São Paulo

Centenas de milhares de estudantes e jovens em 150 países foram às ruas para pedir medidas concretas de proteção ao meio ambiente e para mitigação das mudanças climáticas. Em São Paulo, uma das maiores metrópoles do planeta, não foi diferente. Os paulistanos se reuniram na avenida símbolo da cidade para cobrar as autoridades brasileiras. 

O evento estava na agenda oficial do prefeito da cidade, Bruno Covas (PSDB), que participaria do protesto acompanhado dos secretários Eduardo de Castro (Verde e Meio Ambiente) e Alexandre Youssef (Cultura). A assessoria da prefeitura, porém, informou que Covas desistiu de participar na última hora.

No vão livre do Masp (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand), vendedores ambulantes tentavam emplacar sem sucesso bebida, comida, apitos e capas de chuva, tudo em embalagens plásticas, enquanto manifestantes se reuniam em volta das caixas de som para ouvir pedidos das crianças de proteção ao meio ambiente e ao planeta.

Uma garota foi ovacionada por seu pronunciamento: "Enquanto vocês compartilham fake news e rejeitam a ciência, nossa casa pega fogo". Um garoto puxou palavras de ordem contra o presidente Jair Bolsonaro (PSL), "fora, Bolsonaro. Viva Amazônia", e foi acompanhado pela multidão. 

Manifestantes seguravam um boneco gigante de Bolsonaro com a faixa presidencial e um grande nariz, uma alusão ao personagem literário Pinóquio, do romance italiano "As aventuras de Pinóquio" escrito por Carlo Collodi em 1883. Na obra o nariz do personagem cresce sempre que ele mente. 

Os protestos foram organizados pela internet após o movimento Greve pelo Futuro, da ONG Fridays for Future, ganhar força em pelo menos uma centena de países. As ações são uma forma de pressão para chamar atenção dos líderes globais que vão se reunir na Cúpula de Ações Climáticas das Nações Unidas, que acontece na próxima semana em Nova York, nos EUA.

A presença de sindicatos, como a CUT (Central Única dos Trabalhadores), e partidos políticos, como o PSOL —que tinha jovens entregando folhetos publicitários sobre filiação— incomodaram manifestantes. Muitos se distanciavam desses grupos. 

Entre as reivindicações mais comuns estão a promoção de transporte coletivo para que as pessoas usem menos carros particulares,  informações sobre consumo consciente e mudança de hábitos de alimentares.

Larissa Kuroko, 24, do Instituto Akatu, uma ONG de conscientização para o consumo consciente, acredita que a mobilidade é uma peça-chave no combate às mudanças climáticas. Para ela, mais ciclovias na cidade e melhor estrutura de transporte urbano poderiam incentivar os paulistanos a deixarem o carro em casa e usarem transporte público, bicicletas e patinetes. Ela garante que a mudança de hábito é possível. 

“Existe uma cultura de consumo, mas podemos reduzir o impacto negativo das mudanças climáticas em todas nossas ações do dia a dia. O Brasil é o país que mais consome carne. Não falo só de virar vegetariano, mas de ter um consumo consciente, reduzir o consumo. É uma mudança de hábito”, afirma. 

Na avenida Paulista também tinha gente que veio de longe. É o caso do professor de ciências sociais da Universidade Federal do Pará, Alberto Luiz Teixeira da Silva, 60, que chegou em São Paulo na última terça (17) para participar do 11º Congresso do Conselho Latino-americano de Pesquisa pela Paz e foi surpreendido pelo movimento Greve pelo Futuro. 

“Estudo o papel dos governos estaduais na Amazônia. Agora vejo que, com a negação do governo, que cortou relações com o Fundo Amazônia, os governadores estão puxando para si a responsabilidade para conseguir ajuda financeira de outros países. O Fundo Amazônia é absolutamente fundamental para proteger a floresta”, conta. 

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