Pantanal tem julho com maior número de queimadas já registrado

Inpe registrou 1.684 focos de incêndio no bioma, aumento de 241% em relação a julho de 2019

São Paulo

O fogo continua em expansão no Pantanal. Após o primeiro semestre com maior número de queimadas no bioma, os focos de incêndio em julho na região são os maiores já registrados desde o início do monitoramento.

Os incêndios no Pantanal cresceram cerca de 241% em relação ao mesmo mês de 2019. Em julho, o Programa Queimadas, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), registrou 1.684 focos de calor no Pantanal. No mesmo período, em 2019, foram 494.

Além do elevado número total, o crescimento percentual expressivo está entre os três maiores já registrados para o mês.

As chamas avançam mesmo com a proibição, pelo governo federal, por 120 dias, de queimadas no Pantanal e na Amazônia (que também teve aumento considerável do fogo em julho).

Antes da ação do governo Jair Bolsonaro (sem partido), o Mato Grosso já havia se adiantado e proibido, a partir de 1º de julho e até 30 de setembro, a prática de queimadas no estado.

O recorde de julho se soma aos dos meses de março e abril, que também tiveram os maiores valores de focos de calor já registrados pelo Inpe no bioma.

Nos primeiros seis meses de 2020, o Pantanal teve 2.534 focos de incêndio. Antes, o maior valor havia sido registrado em 2009, com 2.216 focos.

Segundo Heráclio Alves, meteorologista do Inmet, os meses normalmente mais chuvosos no bioma tiveram um nível de precipitação abaixo do normal. No momento, contudo, o Pantanal já entra em sua estação predominantemente mais seca, o que pode intensificar o risco de fogo na região.

Uma análise recente da ONG ICV (Instituto Centro de Vida) mostra que 51% das queimadas no bioma estavam concentradas em propriedades particulares.

Mesmo levando em conta a questão do tempo, a ação humana deve ser levada em conta, principalmente ao se considerar que o Pantanal é um bioma alagadiço.

A situação de fogo no bioma já levou o governo de Mato Grosso do Sul a decretar situação de emergência. Em Mato Grosso, a fumaça chegou à Cuiabá, capital do estado.

Os problemas respiratórios provocados pelas queimadas também são fatores de preocupação. A questão de saúde se torna ainda mais preocupante ao se olhar para a situação da Covid-19 no Centro-Oeste, uma das regiões na qual a pandemia está em expansão.

Enquanto Mato Grosso recentemente se manteve estável (segundo a média móvel de mortes e lembrando que a estabilidade não significa que a situação esteja controlada), Mato Grosso do Sul apresenta crescimento recente da mesma média.

Com isso, o risco é que ocorra uma sobreposição de problemas relacionados às queimadas e ao novo coronavírus, o que poderia sobrecarregar o sistema de saúde.

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