Salles falta a reunião de conselho da Amazônia, e Mourão chama ausência de falta de educação

Vice lidera estrutura responsável por coordenar ações de preservação no bioma

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Brasília

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, faltou a uma reunião do Conselho da Amazônia Legal nesta quarta-feira (26) e não enviou representante, o que provocou queixas públicas do vice-presidente, general Hamilton Mourão (PRTB). Para o vice, o gesto do auxiliar do presidente Jair Bolsonaro é "falta de educação".

"Lamento profundamente a ausência do ministério mais importante, que não compareceu nem mandou representante, que é o ministério do Meio Ambiente. Lamento profundamente", disse Mourão, ao final de encontro realizado no Palácio do Itamaraty. "Da forma que eu fui formado eu considero isso falta de educação."

Mourão chefia o Conselho da Amazônia, estrutura que coordena as ações de preservação no bioma mas que passa por um processo de esvaziamento.

O vice já entrou em choques anteriormente com Salles, que na semana passada foi alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga um suposto esquema de exportação de madeira ilegal.

Mourão foi questionado sobre os impactos da ação da PF tanto nos trabalhos do conselho quanto na imagem internacional do Brasil, mas evitou fazer comentários e disse que aguarda os desdobramentos da investigação.

"Eu aguardo a investigação. Toda investigação começa com indícios que podem se comprovar ou não. Então ninguém pode condenar o ministro a priori", disse. "Ou seja, que siga o devido processo legal, até lá qualquer ilação é isso, mera ilação".

A ação da PF tem gerado forte desgaste a Salles.

Nesta quarta, o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), negou pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República) para deixar a relatoria da investigação sobre o ministro.
Moraes é o ministro que autorizou a Operação Akuanduba, que tem Salles e outros servidores do Meio Ambiente como alvos.​

Não é a primeira vez que a ausência de Salles em encontros sobre a Amazônia irrita Mourão.

Em janeiro, o vice convocou uma reunião sobre o fim das operações de GLO (Garantir da Lei e da Ordem) na Amazônia, mas Salles faltou e não mandou representante.

Salles tem o apoio de Bolsonaro, mas Mourão avalia internamente que o ministro tem sido um obstáculo para a melhora da interlocução do país com parceiros internacionais.

Nesta quarta, Mourão reconheceu que os índices de desmatamento no Brasil "pioraram" nos meses de março e abril e disse que "a situação também não está boa" em maio.

Segundo ele, o quadro atual deixa o governo com apenas dois meses para conseguir alcançar o objetivo de reduzir o desmatamento em 15% no atual ciclo.

O vice disse que, se for necessário, o governo federal pode convocar novamente as Forças Armadas para atuarem em ações de fiscalização ambiental em uma tentativa de alcançar essa meta nos próximos dois meses.

Em abril, pelo segundo mês seguido a Amazônia bateu o recorde recente de desmatamento, segundo dados do Deter, sistema do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Foi também o pior abril da série histórica atual, que tem início em 2015 —os dados anteriores eram menos precisos.

Pressionado pelo avanço do desmatamento, o governo determinou em 2019 o envio de militares para atuar na fiscalização ambiental na Amazônia. Após prorrogações, a operação foi interrompida neste ano, mas a persistência de dados negativos levou o Planalto a estudar uma nova operação de GLO.

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