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Economista, ex-presidente do Insper e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda (2003-2005, governo Lula)

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Detalhes no desenho da política de inclusão podem fazer toda a diferença

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Estudo na "American Economic Review" deste mês mostrou que detalhes na comunicação afetam a decisão de jovens com baixa renda e bom aprendizado de candidatarem-se às melhores universidades.
Em Michigan, os alunos do ensino médio fazem uma avaliação de aprendizagem com ampla cobertura nos EUA, o SAT. Com base nessa prova e nas notas na escola, pode-se inferir a chance de um estudante ser aceito na Universidade de Michigan, a melhor do estado.

Sabe-se, contudo, que alunos de baixa renda com bom desempenho se candidatam menos para as universidades, sobretudo as melhores, do que os com desempenho equivalente de famílias de alta renda.
Esse fenômeno surpreende, porque existem programas de bolsas de estudo nas melhores universidades americanas e há evidências de que se graduar em boas instituições tem impacto relevante sobre os salários.

O experimento selecionou cerca de 4.000 alunos de baixa renda e com bom desempenho no ensino médio. Suas escolas foram aleatoriamente divididas em dois grupos, cada um com cerca de metade dos alunos.
O primeiro recebeu os folhetos usuais da Universidade de Michigan sobre o curso e a existência das bolsas. O segundo, um pacote especialmente concebido que incluiu uma carta personalizada do presidente da universidade afirmando que, caso aprovado, garantia-se ao aluno a bolsa de estudos.

O critério de aprovação continuou sendo o mesmo para todos os candidatos. Os alunos do primeiro grupo com baixa renda também receberiam bolsas caso fossem aceitos e seguissem a burocracia usual do pedido.

Os resultados impressionam. O número de candidatos no segundo grupo foi mais do que o dobro do que no primeiro, assim como o de aceitos pela universidade. A nova forma de comunicação alterou a decisão dos estudantes.

O experimento corrobora resultados da pesquisa em economia comportamental. As pessoas por vezes sobrestimam o custo das decisões correntes, como preencher formulários, em detrimento dos seus ganhos a longo prazo, como um provável maior salário ao se formarem em uma boa universidade.

Os jovens tendem a se ancorar na experiência do seu entorno, nesse caso famílias de baixa renda, em geral com menor educação. A carta garantindo a bolsa retirou os pequenos custos da burocracia e incentivou os alunos a se candidatarem ao enfatizar a sua competência acadêmica.

Estudos com técnicas similares em outras áreas, como nos programas de transferência de renda, também apontam a relevância dos detalhes de implementação. Compreender as necessidades de cada população, por meio de pesquisas com grupos de tratamento e de controle, permite melhorar a eficácia das políticas de inclusão.

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