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Sanções dos EUA desaceleram alta da receita da Huawei

Vendas locais de smartphones do grupo chinês de tecnologia caem pela primeira vez, e crescem os temores quanto ao estoque acumulado

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Financial Times

O crescimento da receita do grupo chinês de tecnologia Huawei se desacelerou durante o terceiro trimestre, diante de novas sanções impostas pelos Estados Unidos e da desaceleração econômica mundial causada pela pandemia do coronavírus.

A Huawei anunciou nesta sexta-feira (23) que sua receita nos nove primeiros meses do ano foi de 671,3 bilhões de yuan (US$ 100,5 bilhões ou R$ 561 bilhões). Isso se traduz em alta de 3,7% ante o terceiro trimestre do ano passado, o que fica bem abaixo do crescimento de 27% registrado no terceiro trimestre de 2019. A empresa tem um índice ponderado de crescimento de receita de 21% ao ano, nos cinco últimos exercícios.

A desaceleração surge em um momento de aperto pelo governo Trump das sanções contra a Huawei. As medidas americanas contra a empresa que entraram em vigor na metade de setembro forçam companhias a obter licenças para vender tecnologias criadas nos Estados Unidos para a Huawei, o que em geral isola a empresa de seus fornecedores de chips.

Logo da Huawei, no centro de Varsóvia, capital da Polônia - Kacper Pempel/Reuters

O crescimento futuro da Huawei também pode ser prejudicado por declínios em suas vendas ao consumidor, que respondem por mais de metade da receita da empresa.

A Huawei não ofereceu números de vendas separados para esse segmento de negócios. Mas os números que a empresa forneceu a analistas, entre os quais o grupo de pesquisa Canalys, demonstram que as vendas de smartphones na China caíram em 18% ante o número do ano passado, no terceiro trimestre, o primeiro declínio já registrado por esse indicador. O mercado chinês de smartphones ajudou a sustentar as vendas da Huawei desde que as primeiras sanções foram impostas pelos Estados Unidos, em 2019.

“Não importa quanta demanda exista agora no mercado chinês, porque a Huawei dispõe de suprimentos limitados de componentes”, disse Nicole Peng, vice-presidente da Canalys em Pequim, em referência às mais recentes restrições impostas pelos Estados Unidos.

Peng disse que a Huawei pode estar tentando “prolongar estrategicamente” sua presença no mercado mundial de smartphones ao reduzir as vendas na China, a fim de reter estoques para venda em outros mercados. O forte relacionamento entre a Huawei e os distribuidores locais e sua base de clientes estabelecida podem ajudá-la a reconquistar os compradores na China se e quando a questão dos insumos for resolvida, ela afirmou.

Já existem sinais de que a escassez de componentes causada pelas sanções de Washington está causando efeito na empresa. A Huawei deu a entender que seu novo modelo de topo de linha, o smartphone Mate 40, anunciado na quinta-feira, pode ser o seu último, depois de admitir “problemas de acesso” para a obtenção dos chips de alta potência necessários à produção de produtos como esse.

“Este ano pode ver o fim do chipset Huawei Kirin de maior potência, sua última geração”, disse Richard Yu, que comanda a divisão de produtos ao consumidor da Huawei, em agosto, em referência aos chips que acionam os smartphones da companhia.

Funcionários da Huawei disseram que ainda mantêm a esperança de que o Departamento de Comércio dos Estados Unidos conceda licença a fornecedores essenciais, como a Qualcomm. Pelo que se sabe publicamente, a Intel é a única companhia que obteve a licença necessária.

A Huawei também está sob pressão por conta das restrições governamentais ao uso de seus equipamentos de telecomunicações em redes nacionais, depois de esforços de lobby do governo dos Estados Unidos; o Reino Unido e a Suécia são os dois mais recentes países a aderir à ideia. No entanto, a Huawei afirma que seus mercados mais lucrativos –os do leste asiático, como a China e a Coreia do Sul– não compartilham dessas preocupações de segurança.

Peng, da Canalys, disse que a situação pode ser aliviada ao menos parcialmente pelo fato de que os fabricantes de equipamentos de telecomunicação, entre os quais a Huawei, estavam apenas começando a receber receita com a venda dos equipamentos que acionam as redes 5G de próxima geração, o que indica que essa pode ser uma fonte de receita em longo prazo.

“Será difícil para a Huawei manter o crescimento, mas os negócios deles com as operadoras de telefonia amortecerão o impacto”, disse Peng.

Financial Times, tradução de Paulo Migliacci

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