Siga a folha

Bolsa sobe 7,4% na semana e dólar recua 6%, para R$ 5,39

Moeda brasileira foi a que mais se valorizou em meio à possível eleição de Biden

Você atingiu seu limite de matérias livres

Assine e tenha acesso Ilimitado

– OFERTA ESPECIAL – 1 ANO DE DESCONTO –

Cancele quando quiser

R$ 1,90 POR 3 MESES

+ 9 de R$ 19,90 R$ 9,90

Notícias no momento em que acontecem, newsletters exclusivas e mais de 120 colunistas. Apoie o jornalismo profissional.

São Paulo

O Ibovespa, maior índice acionário do país, acumulou alta de 7,4% nesta semana, a melhor desde junho, impulsionado pelo desempenho positivo do mercado de ações global diante da alta probabilidade de o democrata Joe Biden se eleger presidente dos Estados Unidos, em uma disputa contra o atual líder, o republicano Donald Trump.

Nesta sexta-feira (6), o índice brasileiro subiu 0,17%, a 100.925 pontos, maior patamar desde 26 de outubro.

Nos EUA, Wall Street teve a melhor semana desde abril, com valorização de 7,3% do S&P 500, índice que reúne as maiores empresas do país. Nesta sexta, o índice fechou estável, assim como o Nasdaq, com ganho de 9% na semana. Dow Jones recuou 0,24% no pregão, com alta de 7% na semana.

Dólar tem forte queda e termina semana abaixo de R$ 5,40 - Foto Jorge Araújo / Fotos Públicas

"Após intensas altas nos dias anteriores, é natural que os investidores, principalmente em meio ao elevado clima de incerteza econômica, promovam uma realização de lucros. Com as eleições nos EUA praticamente resolvidas, elimina-se um dos principais pontos de incerteza responsável pelo elevado nível de volatilidade ao longo dos últimos meses", Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora.

Já o dólar caiu 2,84% nesta sexta, a R$ 5,388, menor valor desde 18 de setembro e sua maior desvalorização diária desde 28 de agosto. Na semana, a moeda americana acumulou queda de 6%, a maior desde junho. O turismo está a R$ 5,54.

Neste período, o real foi a moeda que mais se valorizou no mundo, ganhando 6,84% desde a última sexta (30), bem à frente da segunda colocada, a coroa tcheca, que teve um salto de 4,6% no período. De pior moeda no mundo neste ano, o real já alçou a sexta colocação, com desempenho melhor que a lira turca, por exemplo.

O movimento reflete um menor sentimento de risco fiscal no Brasil combindado à fraqueza internacional da divisa dos Estados Unidos conforme aumenta probabilidade de o democrata Joe Biden se eleger presidente do país, em uma disputa contra o atual líder, o republicano Donald Trump.

Nesta sexta, o ministro Paulo Guedes (Economia) adotou um tom positivo em relação à economia e disse que o país já voltou à agenda de reformas, além de denfer privatizações, a redução da dívida em relação ao PIB [Produto Interno Bruto] e a manutenção do ajuste fiscal.

Além disso, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), voltou a defender a aprovação da reforma tributária e disse que ela pronta para ser votada, inclusive com maioria para aprovação. Ele também que o debate da reforma administrativa deve começar na próxima semana.

"A questão agora é esperar para ver se as sinalizações positivas serão concretizadas e caso avançem devem finalmente destravar o Ibovespa, assim como devolver boa parte do prêmio que está implícito na curva de juros, o que acaba beneficiando o mercado de renda variável", diz Ribeiro, analista da Clear.

Os juros futuros para janeiro de 2026 caíram 1,8% nesta sexta, a 6,94% ao ano. Na terça (3), estavam a 7,34% ao ano. Juros futuros são taxas de juros esperadas pelo mercado nos próximos meses e anos. Eles são a principal referência para os juros de empréstimos que são liberados atualmente, mas cuja quitação ocorrerá no futuro. ​

Nos últimos meses, o cenário doméstico tem sido motivo de preocupação para os mercados financeiros que, além de descontentes com o atraso na entrega das reformas estruturais, que consideram essenciais, temem que o governo fure seu teto de gastos de forma a financiar um pacote de auxílio em resposta à pandemia de Covid-19.

Apesar da forte desvalorização dos últimos dias, o dólar ainda acumula salto de 34% contra o real em 2020, tendo sido impulsionado também por um ambiente de juros extremamente baixos, que levam investidores a saírem do país.

Já o índice DXY, que mede a força internacional da moeda americana caiu 1,85% desde a última sexta, em sua pior semana desde março, a 92,3 pontos, menor patamar desde o fim de agosto.

Segundo especialistas, dois fatores explicam o movimento: o primeiro deles é a tradição democrata de ampliar gastos do governo federal para impulsionar a economia. O segundo é a definição de um vencedor que não tem maioria na Câmara e no Senado, o que dificulta mudanças mais abrangentes na legislação do país.

Além disso, "uma presidência do democrata poderia ser positiva para o sentimento de risco global. O comportamento [de Biden] não é errático, volátil e imprevisível", disse Alejandro Ortiz, economista da Guide Investimentos em alusão ao posicionamentos polêmicos do atual presidente dos EUA.

De acordo com analistas, uma vitória de Biden pode ser positiva para mercados emergentes devido à maior probabilidade de aprovação de estímulos fiscais e às perspectivas de uma política comercial mais aberta na maior economia do mundo.

Apesar da contestação da apuração por Trump, investidores continuam a se desfazer do investimento em dólar como proteção ao cenário conturbado de pandemia e eleições e migram para outros ativos, como ações.

Ao fim do pregão, o preço barril do petróleo Brent (referência internacional) cai 3%, a US$ 39,67 à medida que o aumento no número de casos de coronavírus no mundo gera temores de enfraquecimento de demanda de óleo. Na semana, a matéria-prima se valoriza 4,6%.

A França reportou uma contagem recorde de casos de Covid-19, intensificando preocupações de que novos "lockdowns" na Europa possam afetar a demanda por petróleo.

O índice Stoxx 600, que reúne as maiores empresas europeias, caiu 0,2% nesta sexta, acumulando alta de 7% na semana.

Nos Estados Unidos, dados apontaram que o número de novas vagas de emprego em outubro foi o menor em cinco meses, oferecendo a evidência mais clara até agora de que o fim do estímulo fiscal no país e a explosão de novas infecções por Covid-19 estão minando o ímpeto da recuperação econômica americana.

Os EUA criaram 638 mil empregos fora do setor agrícola no mês passado, após um salto de 672 mil em setembro, disse o Departamento do Trabalho em seu relatório de empregos nesta sexta.

Essa foi a menor abertura de vagas desde que a recuperação do mercado de trabalho começou, em maio, e deixou o emprego ainda bem abaixo de seu pico de fevereiro.

A taxa de desemprego caiu para 6,9%, ante 7,9% em setembro. Economistas consultados pela agência de notícias Reuters previam abertura de 600 mil empregos em outubro e uma queda na taxa de desemprego para 7,7%.

(Com Reuters)

Receba notícias da Folha

Cadastre-se e escolha quais newsletters gostaria de receber

Ativar newsletters

Relacionadas