Siga a folha

Aterro tóxico é principal suspeito em acidente ecológico na Rússia; veja fotos

Pesquisadores não descartam que algas possam ter causado morte de animais em Kamtchatka

Nossas colunas são exclusivas para assinantes. Continue lendo com acesso ilimitado. Aproveite!

3 meses por R$1,90

+ 3 de R$ 19,90 R$ 9,90

Tenha acesso ilimitado:

Assine

Cancele quando quiser

Já é assinante?

Faça login
São Paulo

Vazamentos em um aterro de agrotóxicos são os principais suspeitos de terem contaminado a água na costa oriental de Kamtchatka, paraíso ecológico localizado no extremo oriente da Rússia.

O acidente ganhou escala de emergência nacional, com autoridades em Moscou pedindo apuração rápida das causas, por temerem críticas semelhantes às recebidas em maio, quando 21 mil toneladas de óleo de uma mineradora vazaram em rios cristalinos do Ártico russo.

Espuma suspeita de ser tóxica nas águas perto da praia de Khalaktir, na península e Kamtchtka - Greenpeace - 5.out.2020/AFP

A contaminação do mar na costa em torno da capital regional, Petropavlovski-Kamtchatski, começou a ser notada por surfistas em 29 de setembro. Nove pessoas procuraram atendimento médico após passar mal ou apresentar queimaduras nos olhos depois de irem ao mar na popular praia de Khalaktir.

Neste fim de semana, foram registradas grandes manchas de espuma amarelada e oleosa ao longo do litoral, e uma grande mortandande de animais marinhos: crustáceos, moluscos e peixes, principalmente.

O guia turístico Egor Afanasiev enviou à Folha fotos que fez em um sobrevoo de helicóptero no domingo (4). As manchas são bastante visíveis. "Acho que o problema foi em alguma instalação militar", afirmou.

No sábado, o governo de Kamtchatka havia minimizado o problema, mas o governador Vladimir Solodov acabou revertendo a situação e decretando emergência ambiental. O ex-presidente Dmitri Medvedev, hoje no Conselho de Segurança do país, exigiu uma apuração transparente nesta terça.

A Rússia tem longo histórico de acobertamento de questões embaraçosas, com o acidente nuclear de Tchernóbil em 1986 ainda na memória da população. Kamtchatka é um tesouro nacional russo e frequenta o imaginário da população do país, que se concentra na porção ocidental a mais de 6.000 km do local coalhado com 29 vulcões ativos e uma grande população de ursos.

Na segunda (5) e terça (6), grupos de mergulhadores exploraram a baía de Avatcha, onde fica a capital, em especial a foz do rio Nalitcheva, onde moradores disseram ter visto manchas amarelas também.​

O curso d'água é alimentado por outro rio, o Mutnuchka, que fica junto ao aterro de Kozelski. A inspeção desta terça encontrou rachaduras no sistemas de contenção dos produtos tóxicos acumulados.

Aberto em 1979, quando a região era fechada ao mundo devido à concentração de bases militares da União Soviética, o local operou até 2008.

Inicialmente, ele deveria ter sido esvaziado, mas isso não aconteceu. Em 2010, uma membrana foi colocada em torno de toda sua extensão, equivalente a três campos de futebol. A estrutura está danificada, segundo Solodov informou em uma entrevista coletiva.

"No aterro foram encontradas 108 toneladas de pesticidas. A membrana estava exposta em uma de suas bordas. Nunca houve um segurança no local", escreveu no site do Greenpeace russo Ivan Blokov, especialista do grupo ambientalista.

A análise da água do rio e da baía deve demorar cinco dias para ficar pronta. Cerca de 250 quilos de animais mortos foram enviados para Moscou, que fica a oito horas e meia de avião de Kamtchatka, e o resultado dos testes deverá sair em dois dias.

A equipe de mergulhadores que vasculhou a baía de Avatcha afirma que não é possível descartar ainda que o acidente tenha a ver com a presença anormal de algas. "A escala da tragédia vai crescer muito. Encontramos 95% de animais mortos em profundidade, 10 a 15 metros, mas a superfície estava normal. Vai faltar comida para outros animais", disse Ivan Usatov ao site do governo local.

Ainda assim, Kozelski está no topo da lista de suspeitos do caso. Segundo o chefe de inspeção ambiental do território, Valderi Simakov, o trabalho de eliminar o aterro havia sido transferido para o Ministério da Defesa russo, que tem várias instalações na região.

Isso levou a questões sobre eventuais vazamentos de produtos tóxicos ligados a atividades militares, como combustível de foguetes estocados. Até aqui, o governo local não tocou na hipótese, embora tenha dito que iria inspecionar uma unidade da Marinha de testes de armas na península.

Erramos: o texto foi alterado

Foram enviados a Moscou 250 quilos, não toneladas, de animais mortos para exame, conforme versão anterior deste texto.

Receba notícias da Folha

Cadastre-se e escolha quais newsletters gostaria de receber

Ativar newsletters

Relacionadas