Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Moro põe na Segurança Pública general da reserva que foi candidato pelo PSDB

Após perder eleição no Ceará, Guilherme Theophilo assumirá secretaria do Ministério da Justiça

Laís Alegretti Talita Fernandes
Brasília

Futuro ministro da Justiça, Sergio Moro anunciou nesta terça-feira (4) que um general da reserva que foi candidato pelo PSDB ao governo do Ceará vai chefiar a Secretaria Nacional de Segurança Pública. Guilherme ​Theophilo foi derrotado na última eleição pelo governador do estado, Camilo Santana (PT), que foi reeleito com quase 80% dos votos válidos. 

O general da reserva Guilherme Theophilo vai chefiar a Secretaria Nacional de Segurança Pública - Heider Betcel/FIEAM

A indicação de Moro atende a expectativa dos militares de um nome do meio para a secretaria, ao mesmo tempo em que é um aceno aos tucanos, bancada com a qual o presidente eleito, Jair Bolsonaro, se reúne nesta quarta-feira (5).

Sem mencionar a sigla do PSDB, Moro disse que Theophilo se desfiliou do partido ao qual era ligado, ao anunciar o novo integrante da pasta no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), onde funciona o gabinete de transição.

"O general foi, como é sabido, candidato nas eleições desse ano, mas ele já se desfiliou do partido político ao qual estava filiado, então não existe nenhuma declaração político-partidária", defendeu.

Moro também confirmou que o delegado da Polícia Federal Luiz Pontel de Souza será o secretário-executivo da pasta. Desde que aceitou o convite para assumir o ministério, Moro cercou-se de delegados da PF para os cargos estratégicos do órgão. 

"Foi um dos principais responsáveis pela prisão do Alberto Youssef e naquela época já pude constatar a integridade do delegado Pontel", disse Moro sobre o futuro número 2 de sua pasta.

O convite a Teophilo partiu do próprio Bolsonaro, que ligou para o general na terça-feira da semana passada. No rápido contato, perguntou a ele se aceitava contribuir para seu governo, sem mencionar cargos e ouviu uma resposta afirmativa do militar.

Os dois são amigos desde o tempo da academia militar, embora durante a campanha eleitoral eles tenham estado em candidaturas distintas. No Ceará, Bolsonaro apoiou Hélio Góis (PSL) para o governo e chegou a criticar o antigo colega do Exército por ter se filiado ao PSDB de Geraldo Alckmin, candidato a presidente derrotado no primeiro turno.

Na semana passada, Moro se reuniu com o comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas, o futuro ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, e outros integrantes da cúpula do Exército. Na ocasião, Villas Boas e Azevedo e Silva ficaram de sugerir um nome para a área de Segurança Pública.

Um dos argumentos usados pelos integrantes das Forças Armadas para a escolha de um militar para chefiar a secretaria é o de que eles têm uma ligação maior com a Polícia Militar.

Em São Paulo, o governador eleito João Doria (PSDB) também anunciou um general da reserva –João Camilo Pires de Campos– para a Secretaria da Segurança Pública. Será a primeira vez que um nome do Exército comanda a pasta desde 1979, quando Erasmo Dias foi titular da pasta.

Teophilo é de uma família tradicional do Exército, filho do general de Brigada Manoel Theophilo Gaspar de Oliveira Neto. 

Ele tem formação na área de processamento de dados e possui pós-graduação em Engenharia de Sistemas.

Aos 63 anos, entrou para a reserva do Exército em março, pouco antes de ter sido escolhido pelo PSDB como candidato ao governo do Ceará.

O nome do general foi levado pelo deputado Raimundo Gomes (PSDB-CE) ao senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), que foi o fiador e entusiasta da candidatura do general no estado.

Ele estudou em colégio militar e entrou no Exército aos 21 anos. Como oficial, atuou como observador Militar das Nações Unidas na América Central. 

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