Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Aliados de Bolsonaro divergem sobre decreto das armas

Líder do DEM diz que texto pode tirar foco de prioridade da agenda econômica

Daniel Carvalho Angela Boldrini
Brasília

A edição do decreto que facilita a posse de armas no Brasil gerou divergência entre aliados do presidente Jair Bolsonaro horas após a assinatura do texto, na manhã desta terça-feira (15).

As primeiras ponderações vieram do DEM, partido que caminha para a base de apoio de Bolsonaro após a adesão do PSL, partido do presidente, à campanha pela reeleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) ao comando da Câmara.

Para o líder do DEM na Casa, Elmar Nascimento (BA), o presidente deveria ter editado uma medida provisória em vez de um decreto para que o assunto pudesse ser discutido no Legislativo.

"Quando se faz por decreto, é o caminho mais rápido para um confronto. Tenho absoluta convicção de que alguém vai apresentar um decreto legislativo para cassar", afirmou Nascimento à Folha.

Além disso, o líder do DEM disse acreditar que a discussão de um tema tão polêmico neste momento pode acabar tirando o foco da agenda econômica, que tem como item número um a reforma da Previdência.

"Fico preocupado porque acho que o governo deveria gastar todas as suas energias iniciais na pauta econômica. Esta é a fundamental. Quando emite um decreto, facilita o trabalho da oposição e traz o discurso para outro assunto, que, para mim, não pode ser prioridade. Não há nada que seja mais prioridade neste instante que a pauta econômica", disse Elmar Nascimento.

O líder do PSDB na Câmara e integrante da bancada ruralista, Nilson Leitão (PSDB-MT), é favorável ao porte de armas e diz defender o direito do "cidadão de bem" se defender.

"Em relação às áreas rurais, essa é uma das demandas mais importantes. No entanto, essa medida não pode ser a única no combate à insegurança e ao aumento da violência. Não se pode transferir a responsabilidade sobre a segurança pública para o cidadão. Só armar o cidadão de bem não resolverá a insegurança. É necessária uma série de ações conjugadas, como o endurecimento da legislação, o aumento do investimento em inteligência, na integração das forças de segurança, no controle das fronteiras e no sistema prisional, entre outras ações preventivas", afirmou Leitão.

Nas redes sociais, o deputado Major Olímpio (PSL-SP), eleito senador para a próxima legislatura, vinha comemorando desde que o governo marcou para esta terça a assinatura do texto.

"Primeiro passo para a garantia à legítima defesa do cidadão de bem! Brasil acima de tudo, Deus acima de todos!", escreveu em uma rede social.

A deputada eleita Carla Zambelli (PSL-SP) também foi à internet comemorar a edição do decreto e defendeu uma proposta que tramita no Congresso desde 2012 para revogar o Estatuto do Desarmamento.

"Da minha parte, reafirmo o compromisso com a aprovação do PL 3722/2012, em sua formulação original, com a revogação total do Estatuto do Desarmamento e do absurdo requisito da 'declaração de efetiva necessidade'", escreveu a parlamentar eleita.

Ela também ironizou a tentativa de partidos de esquerda de tentar derrubar o decreto das armas.
"Só vai tentar, é claro. Nós estaremos lá não apenas para derrotar o PSOL, mas também para revogar definitivamente o estatuto do desarmamento!", publicou Zambelli.

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