Alexandre Nardoni deixa penitenciária em SP pela primeira vez após 11 anos

Condenado pela morte da filha, Isabella, ele deve passar Dia dos Pais com a família, que mantêm a versão de sua inocência

Rogério Pagnan
São Paulo

O bacharel em direito Alexandre Nardoni, 41, condenado a mais de 30 anos de prisão pelo assassinato da própria filha, Isabella, 5, em março de 2008, deixou a penitenciária 2 de Tremembé (a 147 km da capital), na manhã desta quinta-feira (8), na chamada “saidinha” do Dia Dos Pais.

Agora, no regime semiaberto, essa é a primeira vez, desde maio de 2008, que ele recebe da Justiça de São Paulo autorização para deixar a prisão sem escolta policial e, também, a primeira vez que volta a encontrar a mulher, Anna Carolina Jatobá, 35, fora da prisão.

Alexandre e Anna sustentam a versão de inocência até hoje.

Alexandre Alves Nardoni, pai de Isabella, 5, é escoltado por policiais do 9º DP (Distrito Policial), no Carandiru, zona norte de São Paulo (SP) - Diego Padgurschi/Folhapress

A Secretaria da Administração Penitenciária não deu detalhes da saída de ambos, por questões de segurança, mas ambos devem ficar soltos até o final da tarde de domingo (11), quando cada um volta para sua unidade prisional –distantes cerca de dez quilômetros uma da outra.

Por lei, os presos do regime semiaberto têm direito de solicitar cinco saídas temporárias por ano, em datas comemorativas como Dia dos Pais, Dias das Mães e festa de final de ano.

Segundo funcionários do sistema prisional ouvidos pela Folha, Alexandre e Anna mantêm por uma década uma rotina de troca de cartas. Cerca de 300 mensagens são trocadas por eles por ano.

Essa não é a primeira vez que Alexandre e a mulher se encontram. Como está no semiaberto desde 2017, e já deixou a prisão em outras oportunidades, Anna aproveitou essas oportunidades para visitar o marido na prisão.

Ela chegou a visitar com filhos um shopping da capital, sem ser reconhecida por ninguém, mas, segundo os familiares, teve crise de ansiedade e precisou voltar para casa minutos depois.

Neste final de semana, Alexandre, Anna e os filhos foram para um lugar reservado, que a família mantém em sigilo (mas informado à Justiça).

Na época do crime, um filho do casal tinha 3 anos e, outro, 11 meses. Hoje adolescentes, eles também acreditam na inocência de ambos, dizem familiares.

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