Fuvest tem prova tradicional e falha em reconhecimento facial

Questões multidisciplinares e pela 1ª vez coloridas chamaram a atenção; gabarito sai às 9h da manhã desta segunda (25)

São Paulo

Os candidatos que fizeram a prova da Fuvest neste domingo (24) em busca de uma vaga na Universidade de São Paulo encontraram um exame tradicional, mas com algumas pequenas novidades. 

O destaque desta edição foram as questões interdisciplinares. Perguntas que abordavam matemática e inglês ou química e geografia cobravam dos alunos um bom conhecimento do conteúdo programático dessas matérias. 

De acordo com o gerente de inteligência educacional do Poliedro, Fernando da Espiritu Santo, que fez a prova junto com os mais de 129 mil candidatos, a maior dificuldade do exame pode ter sido língua portuguesa devido a maior quantidade de questões em comparação com outras disciplinas. 

Taxa de abstenção deste ano foi de 7,9%, inferior a do ano passado, de 8,1%
Taxa de abstenção deste ano foi de 7,9%, inferior a do ano passado, de 8,1% - Zanone Fraissat/Folhapress

A seu ver, a carga de leitura, tanto do enunciados quanto das obras obrigatórias, fizeram da prova de língua portuguesa deste ano um dos principais desafios para os candidatos. 

Em compensação, a temida matemática exigiu menos exceções e mais conteúdos básicos, segundo ele. 

"Matemática não foi tão complexa quanto se espera. Abordou todos os conteúdos programáticos, mas de uma maneira mais fácil para os estudantes. Sem cobrar o que chamamos de notas de rodapé, as exceções à regra. A prova cobrou o arroz com feijão da disciplina: funções, geometria, conhecimentos básicos", diz. 

Este ano também foi marcado pela primeira prova em cores, mas o exame não foi completamente colorido. 

"Algumas questões, se não fossem coloridas, não teria sido possível compreender. Havia uma questão de política agrária que sem as cores não seria possível entender o gráfico", afirmou o professor. 

Para Espiritu Santo a prova foi, no geral, tranquila e com cobranças já esperadas. 

Algumas questões abordaram temas polêmicos quentes, como o desmatamento e queimadas na Amazônia. 

De acordo com Daily de Matos Oliveira, coordenador de história do curso Objetivo, a prova deste ano tentou se aproximar da realidade atual da sociedade brasileira. 

"Caíram temas que têm muita a ver com questões atuais, como terra plana, em duas questões, e fake news. Não chega a ser uma questão de atualidade, mas se o aluno souber interpretar o que está acontecendo, isso pode ajudar", afirma. 

Oliveira concorda com Espiritu Santo que a prova de matemática foi básica. Ele acrescenta ainda que biologia também cobrou conceitos elementares. 

Em história, entretanto, o coordenador aponta que faltaram conteúdos que normalmente caem na Fuvest, como o Brasil imperial (1822-1889), o que surpreendeu professores ouvidos pela Folha que dizem ter preparado seus alunos para temas tradicionais. 

Nem todas as novidades deste ano, porém, emplacaram. Espiritu Santo conta que na sala onde fez o exame o sistema de reconhecimento facial, usado pela primeira vez, não funcionou como deveria. 

"Na minha sala, o equipamento apresentou falha. O fiscal precisou trazer um novo tablet. No fim da prova, um outro fiscal voltou e disse que precisaria fazer o reconhecimento de todos mais uma vez", afirma. 

Em nota, a Fuvest se reservou a dizer que "todos os candidatos foram devidamente identificados por meio do sistema de identificação facial". 

Ainda de acordo com a fundação, o número de abstenções deste ano foi de 7,9% —inferior a do ano passado, quando chegou a 8,1%.

A cidade de São Paulo teve 8% de abstenção. A prova foi aplicada em 88 locais em 35 cidades brasileiras. 

Mais de 129 mil candidatos se inscreveram para prestar o exame este ano, 12.129 como "treineiros". Para 2020, a Universidade de São Paulo oferece 11.147 vagas. 

O gabarito oficial da prova será divulgado nesta segunda-feira (25) às 9h. Já a lista de aprovados na primeira fase sairá no próximo dia 9 de dezembro. 

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