População está cansada de vândalos destruindo o patrimônio, diz Doria

Governador endureceu atuação policial para sufocar protestos em SP

São Paulo

O governador João Doria (PSDB), que vem endurecendo o tratamento a manifestantes em São Paulo, afirmou nesta quinta-feira (16) que a população está cansada de "vândalos destruindo o patrimônio público". 

A declaração foi feita nas redes sociais após reportagem mostrando como o governo tem feito para sufocar manifestações, com detenções, fichamentos e pressão sobre pessoas que frequentam este tipo de ato. 

"Vamos sim intensificar a fiscalização para proteger as pessoas, o patrimônio público e privado. Nossas decisões na área de segurança pública não têm cunho político ou ideológico, mas sim o cumprimento da lei e da ordem. Parabéns aos policiais que estão exercendo suas funções", afirmou Doria.

Doria postou reprodução da reportagem da Folha com um carimbo escrito "muita ideologia" e também publicou vídeo de algumas pessoas tentando invadir uma estação de metrô, fechada durante um desses protestos. "Compartilho imagens da manifestação 'pacífica' citada pela matéria da Folha de SP, realizada semana passada em estações do Metrô de SP", escreveu. 

"A população está cansada de assistir vândalos destruindo o patrimônio público. Compreendemos as manifestações democráticas e respeitamos a liberdade de expressão, mas vandalismo não é aceitável sob nenhuma justificativa", afirmou Doria. 

O tucano acalenta o projeto de concorrer à Presidência da República em 2022; para isso, sabe que não pode ver sua popularidade avariada como a dos políticos que viraram alvos de manifestações há pouco mais de seis anos.

A polícia tem detido manifestantes em massa, levado-os à Justiça e tem até revistado a imprensa nos protestos —em alguns casos, jornalistas foram agredidos por profissionais de segurança.

Além disso, logo que assumiu o cargo, Doria endureceu a lei para dar arcabouço legal à repressão aos protestos.

O governo do estado afirma que é a favor da liberdade de imprensa e que os policiais só utilizaram força física quando tiveram que reagir a depredações ou violência.

Na busca de se encaixar na onda bolsonarista em 2018, Doria prometeu que a polícia atiraria para matar caso ele fosse eleito. Sua abordagem em relação às manifestações parece ser extensão de uma política de segurança pública que atingiu ponto crítico na tragédia de Paraisópolis (na qual nove jovens morreram após ação da PM) e afago a uma parcela do eleitorado que pode ser relevante daqui a três anos.


Em seu primeiro mês no Palácio dos Bandeirantes, Doria regulamentou lei de 2014, gestada no bojo das reações às manifestações de 2013 (contra o aumento da passagem) e de 2014 (contra a Copa do Mundo), com a proposta de endurecer o tratamento aos adeptos da tática black bloc, que pregam depredação e usam máscaras negras.

A ação da PM não tem poupado nem jornalistas, que foram revistados e até agredidos nos últimos protestos do Movimento Passe Livre, contra reajuste da tarifa de ônibus e trens de R$ 4,30 para R$ 4,40.

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