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16/06/2007 - 10h01

Boto rosa da Amazônia está perto da extinção, diz "The Guardian"

da BBC

Uma reportagem na edição deste sábado do jornal britânico "The Guardian" afirma que cientistas brasileiros temem pelo futuro dos botos-cor-de-rosa da Amazônia.

Os principais culpados pela ameaça de extinção do animal amazônico seriam, segundo cientistas entrevistados pelo diário, os projetos de construção de usinas hidrelétricas na região e o aumento do uso da carne do boto como isca para pesca.

O "Guardian" afirma que, embora a população de botos-cor-de-rosa na região amazônica ainda seja respeitável, em comparação com outras espécies de golfinhos de água doce, desde 2000 os números vêm sofrendo quedas alarmantes.

"Ambientalistas agora acreditam que o golfinho possa ter o mesmo destino do golfinho do rio Yangtze, na China, que recentemente foi declarado "funcionalmente extinto' por causa da poluição no rio", diz o texto assinado pelo correspondente do diário britânico em Manaus, Tom Phillips.

Inpa

Entre os especialistas convencidos da gravidade da situação está a bióloga Vera da Silva, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

"Acho que isso [a extinção] está se transformando no destino do boto da Amazônia", disse a pesquisadora, de acordo com o "Guardian".

Na reserva de Mamirauá, a cerca de 530 quilômetros de Manaus, onde se encontra uma das maiores concentrações de botos-cor-de-rosa, vem sendo registrada uma queda de 10% ao ano na população dos animais.

Ela afirmou ao jornal também que, entre os principais acusados pela acentuada redução das populações de botos-cor-de-rosa na Amazônia está uma técnica de pesca que teria sido importada da Colômbia, baseada no uso da carne do mamífero aquático.

Além disso, estaria crescendo o número de animais que aparecem mortos com ferimentos que parecem ser de arpões e mutilados, normalmente sem as barbatanas e com nomes gravados à ponta de faca nas costas.

O diário londrino lembra ainda que ambientalistas temem que os projetos de construção de hidrelétricas na bacia do Amazonas venham a isolar os grupos de botos-cor-de-rosa, dificultando ainda mais a reprodução deles.

 

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