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21/03/2001 - 03h21

Dossiê Caribe: PF deve ouvir viúva de Motta, afirma preso

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KENNEDY ALENCAR e MARCIO AITH, da Folha de S.Paulo

Preso em Miami, o brasileiro Oscar de Barros disse à Folha que sugerirá que a Polícia Federal escute Wilma Motta, viúva do ministro Sérgio Motta, para descobrir uma suposta conta secreta da cúpula tucana no exterior. Ele afirmou que a conta existe e que a PF já provou ser verdadeira a "essência" do dossiê Caribe.

Barros disse também que dará sugestão de paraísos fiscais que devem ser investigados pela PF e que nunca declarou que era falso o dossiê -conjunto de papéis sem autenticidade comprovada sobre suposta empresa no exterior que pertenceria ao presidente Fernando Henrique Cardoso, ao ministro José Serra (Saúde), ao governador Mário Covas (morto no último dia 6) e a Motta (que morreu em abril de 1998).

Segundo o FBI, a polícia federal dos EUA, Barros é suspeito de negociar o dossiê Caribe. Barros nega ter vendido ou atuado para difundir o dossiê. Em prisão domiciliar em Miami, aguarda a sentença de condenação por tentativa de conspiração para lavar dinheiro do narcotráfico, o que ele também nega ter feito.

"Deveriam consultar a dona Wilma Motta. Seria mais fácil perguntar para ela o número da conta. Acho que ela deve saber. O (Ministério) Departamento da Justiça do Brasil ou todos os deputados e senadores devem chamar dona Wilma, com todo o respeito", afirmou Barros.

Depoimento
Os delegados Paulo de Tarso Teixeira, responsável pelo novo inquérito sobre o dossiê Caribe, e Jorge Pontes, da Interpol (Organização Internacional da Polícia Criminal), entraram em contato ontem com Barros, para marcar o seu depoimento.

Ele afirmou que receberá os delegados ""por gentileza", porque não é obrigado a fazê-lo. Disse que seu advogado quer que os policiais assinem um compromisso de imunidade (nada do que Barros relatar poderá ser usado contra ele) e que pretende gravar a conversa. Por isso, o encontro deve acontecer entre hoje e sexta.

"Todo mundo sabe que a conta existe", disse Barros, mencionando uma suposta conta da cúpula tucana no exterior. Declarou que, em 1998, quando FHC disputou a reeleição, recebeu telefonemas de pessoas que sabiam que ele dera "consultoria" a Motta e que queriam descobrir a conta.

Barros não afirmou nem negou ter conhecimento específico sobre essa suposta conta, mas insinua que sabe dela. No entanto, disse que jamais negociou um segredo de seus clientes: "Não ganho por vender informações. Ganho para escondê-las. Não é o meu feitio, como não é meu negócio lavar dinheiro, como os US$ 30 mil" (valor que aparece no processo contra ele nos EUA).

Diante da insistência da Folha para apresentar provas de que tem conhecimento da suposta conta, Barros afirmou: "Fiz negócios com o Sérgio Motta. E aí? Não sou obrigado a declinar coisas que tenha feito com ele ou com qualquer outro cliente. Não posso declinar nos Estados Unidos, entregar e falar sobre os meus clientes, mesmo que eventualmente tenha sido meu cliente. Se fez negócio comigo, se conversou ou se pediu um conselho, não posso declinar isso, porque aqui é crime".

Barros disse que seu parceiro em alguns negócios, José Maria Teixeira Ferraz, é que "falou demais" e fez com que interessados em um suposto segredo financeiro de Motta o procurassem, como o pastor Caio Fábio, que ofereceu o dossiê a políticos e empresários no Brasil. Teixeira Ferraz está preso e aguarda a sentença da condenação por conspiração para lavar dinheiro do narcotráfico.

Transferências
Entre os papéis que disse ter visto e verdadeiros, estão dois certificados de transferências de ações de Motta e Ray Terrence para FHC e Serra, respectivamente. De acordo com Barros, sua experiência lhe diz que são verdadeiros os documentos do dossiê que apontam Motta e Terrence como "trustees" (procuradores) de FHC e de Serra.

"Vi os dois certificados e o fluxograma. O certificado me parece verdadeiro, autêntico. Depois, vi o mesmo certificado com o carimbo. Os demais documentos, jamais vi." Barros, porém, achou "estranho" o nome de Covas ter aparecido no dossiê, com um certificado também de ações sendo transferidas para ele.

Barros afirmou que é fácil a PF descobrir se são falsos ou não esses certificados. Como estão em nome de FHC, Serra e Covas, devem ser enviadas cartas rogatórias (pedidos judiciais de investigação entre países) para as Bahamas (onde a empresa foi aberta) e para a Trident (companhia especializada em abrir "offshores" e que criou a CH, J & T).

"A PF já provou a essência dos documentos. A empresa é aquela mesma e pertence a quem pertence", disse, referindo-se à CH, J & T Inc., aberta em 19 de janeiro de 1994 em Nassau (Bahamas), e ao papel que mostra Motta e Terrence como diretores da companhia.

Barros afirmou que o governo brasileiro também deveria enviar cartas rogatórias à Ilha da Madeira (ex-colônia portuguesa no Atlântico) e à "Isle of Man" (Ilha do Homem, que fica entre o Reino Unido e a Irlanda).
 

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