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05/08/2001 - 03h54

Alemanha afundou o pesqueiro Shangri-lá na Segunda Guerra

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RICARDO BONALUME NETO
da Folha de S.Paulo

Duas informações que repousavam em arquivos há quase 60 anos foram finalmente reunidas graças ao esforço de um pesquisador independente, e o resultado adicionou mais dez brasileiros à lista de mortos por ação do inimigo na Segunda Guerra Mundial.

O Tribunal Marítimo reconheceu na semana passada no Rio que o pesqueiro Shangri-lá foi afundado pelo submarino alemão U-199 em 22 de julho de 1943, em Cabo Frio, com a morte de todos seus dez tripulantes.

O caso havia sido arquivado durante a guerra. O pesqueiro tinha desaparecido e não havia provas do que tinha acontecido. A história só continuou viva na memória dos parentes das vítimas e do pesquisador Elísio Gomes Filho, que dirige um pequeno museu marítimo em Búzios.

"Ninguém ligou para o sumiço do Shangri-lá, era um navio de pequeno porte. Mas ele teve mais mortes do que outros navios maiores que foram atacados. Agora a verdade histórica foi restabelecida", diz Elísio.

O submarino alemão foi afundado pouco depois, em 31 de julho de 43, pela ação de aviões da Marinha dos EUA e da FAB (Força Aérea Brasileira). Morreram 49 alemães; 12 foram resgatados, incluindo Hans Werner Kraus, o comandante do navio.

Sobreviventes
Os sobreviventes foram interrogados nos EUA. Cópias do relatório, com data de 27 de setembro de 43, foram enviadas a unidades americanas no Brasil.

Um trecho do relatório descreve os últimos momentos do Shangri-lá: "Em torno de 22 de julho, o U-199 estava patrulhando na superfície à noite quando observou uma sombra a bombordo.

Prisioneiros disseram que subsequentemente provou-se ser um veleiro ou uma embarcação com uma vela atrás. Kraus decidiu afundar a embarcação por canhoneio e disparou um número de tiros pelo seu [canhão de calibre] 37 mm até que o 105 mm pudesse ser guarnecido. Nenhum dos tiros do 37 mm achou o alvo. O 105 mm então disparou sete tiros, dos quais os dois últimos acertaram e afundaram-na".

Uma nota no relatório feita pelo oficial americano comenta que o incidente "pode ter ocorrido, mas que dado o pequeno tamanho do navio atacado, não há registro do afundamento".

Ao ter conhecimento do relatório, Elísio convenceu a Procuradoria Especial da Marinha a reabrir o caso, no ano passado.

Os prisioneiros alemães disseram que o U-199 patrulhou a área por algum tempo em busca de sobreviventes, mas nenhum foi achado. Por pouco que o mistério não terminou então.

Na manhã de 23 de julho, o radar do contratorpedeiro brasileiro Mariz e Barros detectou um alvo a oito milhas a sudoeste de Cabo Frio. Mas o U-199 submergiu quando nasceu o Sol, e o navio perdeu o contato.

Ironicamente, a Marinha faz vários anos também já tinha uma cópia do relatório arquivada em seu Serviço de Documentação, segundo revela a própria "História Naval Brasileira" no volume dedicado à Segunda Guerra, publicado em 1985.

Os arquivos do Tribunal Marítimo foram uma das fontes para que a história oficial da Marinha calculasse o número de mortos na guerra por ataques dos alemães e italianos. A Marinha mercante teve 972 mortos e desaparecidos, entre tripulantes e passageiros, em 32 navios atacados (não necessariamente afundados); com a confirmação do ataque do Shangri-lá, os números sobem para 982 mortos e 33 navios.


 

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