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03/12/2003 - 08h38

Lula planeja reunião de cúpula com árabes

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FERNANDO RODRIGUES
da Folha de S.Paulo, em Damasco

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usará a viagem de nove dias que inicia hoje --a Síria, Líbano, Emirados Árabes Unidos, Egito e Líbia-- como forma de reforçar o convite para uma reunião inédita entre chefes de Estado do mundo árabe e da América do Sul. O encontro deve ser realizado no Brasil, possivelmente em maio do ano que vem.

"A Síria já disse sim", afirmou o embaixador brasileiro em Damasco, Eduardo Monteiro de Barros Roxo.

Os convites foram despachados por meio de um enviado especial do Ministério das Relações Exteriores do Brasil em meados deste ano. No caso da Síria, a carta assinada pelo presidente Lula foi entregue pessoalmente ao ditador Bashar al Assad.

Se vingar, a reunião entre sul-americanos e árabes será um dos lances simbólicos mais ousados na política externa brasileira comandada pelo PT.
Consolidaria um dos eixos internacionais vislumbrados por Lula, qual seja a aproximação do Brasil com países de médio desenvolvimento do mundo árabe e sul-americanos. A outra prioridade é a África, já contemplada por uma viagem presidencial.

"Os convites foram todos entregues por volta de julho e agosto. A receptividade foi muito boa. Ainda falta definir a data", diz o presidente da Câmara de Comércio Brasil Árabe, Paulo Sérgio Atallah, que representa cerca de mil empresas e tem contatos frequentes com países da região visitada por Lula.

Lula deve chegar a Damasco hoje, às 9h (5h em Brasília). Passará um dia e meio na cidade. Ele e sua comitiva ficarão hospedados no Palácio Tichrin, reservado para autoridades estrangeiras em passagem pelo país.

De acordo com o programa, o presidente estará acompanhado de 56 pessoas, incluindo quatro governadores, cinco ministros e sete deputados federais. Além disso, cerca de 150 empresários e diretores de empresas brasileiras devem participar de alguns eventos durante os próximos dias.

Além do anúncio da possível reunião entre países árabes e sul-americanos, o componente político da viagem estará reforçado pela presença de Eduardo Duhalde na comitiva. Ele é ex-presidente da Argentina e atual presidente da Comissão de Representantes Permanentes do Mercosul.

Lula também terá um encontro com o premiê da Autoridade Nacional Palestina, Ahmed Korei.

Imprensa síria

O jornal "Al Baath" (ressurreição), órgão oficial do partido Baath (governista), festejou uma declaração neutra do chanceler brasileiro, Celso Amorim, sobre uma decisão da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos que permite sanções contra a Síria por supostos envolvimentos em atos terroristas.

"O Brasil critica", era o título do texto na primeira página do "Al Baath". Na realidade, Amorim havia declarado apenas que considerava necessário haver mais diálogo antes de alguma punição.

Apesar desse tempero político-diplomático, o ponto central desse giro internacional de Lula é tentar fomentar o comércio brasileiro com o mundo árabe. A região não é visitada por um governante do Brasil desde o século 19, quando o d. Pedro 2º esteve lá.

Atualmente, apenas 3,67% de tudo o que o Brasil vende ao exterior vai para países da Liga dos Estados Árabes (união formal de 22 países).
"Em cada um dos cinco países que o presidente visitar, haverá um encontro empresarial", diz Celso Amorim.

Hoje, em Damasco, será realizado um seminário para empresários sírio-brasileiros. Estão programados discursos de Lula e do ditador sírio.
Um dos três principais jornais da Síria --todos estatais--, o "Al Thawra" (revolução), trouxe ontem um longo texto sobre a visita de Lula.

O ministro da Economia e do Comércio do país, Ghassan An Riffaii, disse ser uma oportunidade de "grande importância" na relação entre os dois países.

O "Al Thawra" classifica de "muito fraco" o atual intercâmbio comercial entre Síria e Brasil.
 

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